
SK Hynix negocia com Intel produzir chips de memória nos EUA
A sul-coreana avalia alugar espaço na fábrica da Intel em Ohio ou formar joint venture com provedores de nuvem para fabricar memória RAM em solo americano pela primeira vez. Empresa nega plano fechado.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
A SK Hynix, sul-coreana e uma das maiores fabricantes de chips de memória do mundo, está em conversas com a Intel, fabricante americana de processadores, para produzir chips de RAM em solo dos Estados Unidos pela primeira vez na história da companhia. A informação é da Reuters e foi confirmada pela TechCrunch nesta terça-feira (16).
As opções na mesa
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, as duas empresas discutem ao menos dois cenários. No primeiro, a SK Hynix alugaria espaço na fábrica que a Intel planeja em West Lafayette, Indiana, projeto de US$ 3,8 bilhões cuja produção em massa está prevista para 2029. No segundo, as companhias avaliam formar uma joint venture que poderia incluir provedores de nuvem interessados em garantir fornecimento próprio de memória. Outra possibilidade citada é a ocupação de parte do megaprojeto Ohio One da Intel, orçado em até US$ 100 bilhões desde 2022, mas cujas duas fábricas planejadas só devem ficar prontas entre 2030 e 2031.
Foto: reprodução/cnbc.com
Procurada, a SK Hynix foi cautelosa: "a SK Hynix está explorando várias opções para fortalecer sua competitividade global, mas nenhum plano ou arranjo específico foi finalizado até o momento", disse a empresa à TechCrunch.
Quem ganha com o acordo
O pano de fundo é a pressão do governo Trump para que fabricantes de chips instalem produção nos Estados Unidos, em meio à escassez aguda de memória provocada pelo investimento bilionário em inteligência artificial e data centers. Um acordo desse porte seria uma vitória política para Washington e um alívio para a Intel, que vem enfrentando dificuldades para preencher sua capacidade fabril.
Para a SK Hynix, o movimento também tem lastro recente: em julho, a empresa captou US$ 26,5 bilhões em uma oferta de ações nos Estados Unidos. Há ainda um capítulo histórico na relação entre as duas empresas: em 2020, a Intel vendeu seu negócio de memória NAND para a SK Hynix por US$ 9 bilhões.
O obstáculo em Seul
O negócio pode esbarrar em resistência do governo sul-coreano. O Ministério do Comércio da Coreia do Sul afirmou que qualquer acordo envolvendo tecnologia considerada "núcleo nacional" será examinado sob a Lei de Proteção à Tecnologia Industrial do país. Por ora, as tratativas seguem em estágio exploratório, sem cronograma definido para uma decisão.
Atualização (17/09, 09:39): Atualização (17/09): Novos detalhes divulgados nesta semana mostram que a negociação entre Intel e SK Hynix está sendo avaliada sob dois formatos possíveis. O primeiro é o aluguel, pela SK Hynix, de parte da fábrica que a Intel está construindo em Ohio (o site "Ohio One"), onde a empresa sul-coreana instalaria seus próprios equipamentos para processar wafers de memória. O segundo formato é a formação de uma joint venture entre Intel, SK Hynix e grandes empresas de nuvem (hyperscalers), que forneceriam capital antecipado e contratos de fornecimento garantido de DRAM e HBM em troca de acesso a chips de memória avançados.
Segundo as apurações mais recentes, as tratativas ainda estão em estágio exploratório: não há acordo final fechado, nem definição sobre qual tipo de memória seria produzido nem qual dos dois modelos (aluguel ou joint venture) seria adotado. Caso se concretize, o acordo marcaria a primeira produção de chips da SK Hynix em solo americano, reforçando os esforços do governo dos EUA para ampliar a manufatura de semicondutores no país. O noticiário também aponta que qualquer acordo pode enfrentar revisão do governo sul-coreano, que classifica tecnologias de memória como tecnologia estratégica sob a Lei de Proteção à Tecnologia Industrial.
As ações da Intel e da SK Hynix subiram no pré-mercado após a repercussão das notícias, refletindo o interesse do mercado no possível acordo.