
Sky e Giga+ admitem conversas que podem criar gigante da fibra
A Giga+ confirmou ao mercado que negocia fusão com a Sky, do grupo Waiken ILW. Juntas, as empresas somariam 1,91 milhão de assinantes e superariam a Brisanet.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
1,91 milhão de assinantes é o número que muda o tabuleiro
Se a conversa avançar, nasce a quarta maior provedora de internet fixa do Brasil. A Giga+ (ex-Alloha Fibra, uma das maiores provedoras regionais de fibra óptica do país) confirmou que manteve conversas com a Sky nos últimos meses sobre uma possível fusão e aquisição. Somadas, as duas bases chegariam a 1,91 milhão de acessos — mais do que os cerca de 1,58 milhão de assinantes da Brisanet, provedora de fibra forte no Nordeste e hoje a maior independente fora das grandes operadoras.
A confirmação veio em comunicado da Giga+ ao mercado. O texto é econômico nos detalhes, mas direto no essencial: "até o presente momento, não houve qualquer decisão da administração da Companhia ou celebração de qualquer acordo, compromisso ou instrumento contratual vinculante" sobre a operação.
Quem está dos dois lados da mesa
Do lado comprador (ou parceiro, dependendo de como o negócio for desenhado), está a Sky, controlada pelo grupo Waiken ILW, holding que também é dona da Zaaz, provedora de banda larga que complementa a operação de fibra do grupo. Juntas, Sky e Zaaz somavam cerca de 627 mil clientes em agosto de 2026.
Do lado da Giga+, o trunfo é a escala: 1,29 milhão de acessos na mesma data-base, ainda que a empresa venha de um ano difícil, com queda de 16,5% na base em 12 meses. Já a dupla Sky/Zaaz fez o caminho inverso, crescendo 47,7% no período — sinal de que o apetite por consolidação pode vir tanto de quem quer parar de perder assinante quanto de quem quer comprar crescimento.
Sobreposição baixa, ambição alta
Um dos argumentos que tornam o negócio atraente no papel é a baixa sobreposição geográfica: a operação combinada estaria presente em 1.110 cidades, com disputa direta em apenas 123 municípios. Mais complementaridade regional do que canibalização.
Quem ganha e quem perde se o negócio saír do papel
Quem perde terreno relativo é a Brisanet: ver uma concorrente regional pular na frente em volume de assinantes pressiona a narrativa de crescimento da empresa nordestina justamente no momento em que o mercado de fibra independente se consolida. Vivo Fibra e as demais grandes continuam fora do alcance imediato do novo grupo, mas ganham um rival de porte mais relevante para disputar bairro a bairro nas cidades onde atuam provedores regionais.
Por ora, o que existe é conversa, sem decisão da administração nem contrato vinculante assinado. Mas o tamanho do número já é suficiente para recalcular o mapa da fibra no Brasil.