
Snap faz acordo e evita júri em processo sobre saúde mental de adolescentes
A Snap fechou acordo com dois adolescentes que a acusavam de alimentar depressão e transtornos alimentares via autoplay e rolagem infinita. O valor não foi divulgado, e a empresa evitou ser a primeira big tech a enfrentar um júri nesse tipo de ação.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
A Snap, dona do Snapchat — o aplicativo de mensagens conhecido pelas fotos e vídeos que desaparecem após serem vistos —, fechou um acordo com dois adolescentes que a processavam por supostamente alimentar depressão, ansiedade e transtornos alimentares por meio de recursos projetados para capturar atenção. O valor do entendimento não foi divulgado, e a empresa evitou, assim, ser a primeira das grandes plataformas a enfrentar um júri nesse tipo de disputa.
O que os autores do processo alegavam
Os dois autores, identificados nos documentos judiciais apenas pelas iniciais K.D.B. e S.J., afirmavam ter começado a assistir vídeos no YouTube por volta dos 3 anos de idade e migrado para outras redes sociais perto dos 9 anos. Segundo a ação, recursos como autoplay e rolagem infinita teriam induzido padrões de uso compulsivo, com consequências diretas sobre a saúde mental na adolescência.
Foto: reprodução/engadget.com
O julgamento em Los Angeles seria o primeiro teste da Snap diante de um júri nessa onda de litígios, com depoimento previsto do CEO Evan Spiegel. O acordo, fechado durante a seleção do júri, encerrou o caso antes que isso acontecesse. Em nota, a Snap disse estar "satisfeita por ter resolvido o caso de forma amigável" e reafirmou compromisso com a segurança da comunidade.
Um litígio que já custou caro às big techs
O processo contra a Snap não era isolado: os mesmos dois adolescentes já haviam fechado acordos semelhantes com Meta, TikTok e Google (dono do YouTube) em etapas anteriores da disputa. Em um caso relacionado, que chegou a veredito, um júri condenou Meta e YouTube a pagar 6 milhões de dólares em indenizações — mostrando que, quando esses processos avançam até o fim, o resultado pode ser oneroso para as plataformas.
A pressão é mais ampla: milhares de ações tramitam em cortes federais e estaduais dos EUA contra redes sociais, acusadas de desenhar produtos propositalmente aditivos para menores. Em agosto, a própria Meta já havia firmado acordos de até 18 bilhões de dólares com quase todos os estados americanos para encerrar processos movidos por procuradorias estaduais sobre danos a adolescentes.
Quem ganha e quem perde
Para a Snap, o acordo evita o risco de um veredito público e potencialmente bilionário, além de poupar Spiegel de depor sob holofotes. Para os autores, encerra um processo longo sem expor valores — mas sem o efeito simbólico de uma condenação judicial. Já para o mercado como um todo, cada acordo fechado antes do julgamento reduz a chance de precedentes claros sobre responsabilidade das plataformas, mantendo a indefinição regulatória que incomoda investidores e famílias por igual. Resta saber se alguma dessas ações ainda chegará a um veredito capaz de redefinir as regras do jogo para o setor.