
Snapchat chega a 30 milhões de assinantes pagantes um ano após cobrar por memórias
A Snap atingiu 30 milhões de assinantes pagantes um ano depois de limitar o armazenamento gratuito do Memories e passar a cobrar US$ 1,99 por mês por espaço extra. O número mostra que a aposta em monetizar usuários engajados está funcionando, mesmo gerando atrito entre quem só queria guardar fotos antigas.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa
A Snap, empresa por trás do Snapchat, anunciou nesta quarta-feira (4) que superou a marca de 30 milhões de assinantes pagantes em seus planos premium. O dado veio junto com o resultado do terceiro trimestre de 2026 e representa um salto de 5 milhões de assinantes em relação a fevereiro deste ano, quando a empresa havia cruzado os 25 milhões.
O total combina três produtos distintos: o Snapchat+ (assinatura de US$ 3,99/mês que libera recursos exclusivos e de pré-lançamento), o Lens+ (pacote de filtros com inteligência artificial, a US$ 8,99/mês) e os planos de armazenamento pago do Memories, o álbum de fotos e vídeos salvos dentro do app.
A virada de modelo de negócio
O marco não é fruto do acaso. Há um ano, em setembro de 2025, a Snap tomou uma decisão que gerou bastante reclamação entre os usuários: impôs um limite de armazenamento gratuito para o Memories e passou a cobrar de quem quisesse manter fotos e vídeos acima desse teto. Quem ultrapassasse o limite gratuito (a empresa havia dito que a "vasta maioria" dos usuários não sentiria o efeito, já que fica bem abaixo dele) teria que pagar US$ 1,99 por mês por um plano de armazenamento adicional de até 100 GB, ou assinar o Snapchat+, que já inclui até 250 GB como parte do pacote. No topo da pirâmide está o Snapchat+ Platinum, a US$ 15,99/mês, com 5 TB de espaço e experiência sem anúncios.
Ou seja: o que antes era um serviço gratuito e ilimitado para guardar lembranças virou um produto com camadas de preço — e isso ajuda a explicar boa parte dos novos assinantes somados neste ano.
Quem ganha e quem perde
Para a Snap, a conta fecha bem: assinatura é receita recorrente e previsível, o tipo de métrica que o mercado financeiro gosta de ver crescer enquanto a receita de publicidade decepciona. A empresa também destacou que o Lens+, puxado por recursos de inteligência artificial, "superou as expectativas" segundo o CEO Evan Spiegel em comunicado a investidores.
Do outro lado, ficam os usuários que não queriam — ou não podiam — pagar para manter anos de fotos e vídeos acumulados no Memories e se viram obrigados a desembolsar pelo menos US$ 1,99 mensais só para não perder esse arquivo pessoal. É um lembrete de que, para plataformas de redes sociais maduras, transformar um recurso gratuito em assinatura paga é um dos caminhos mais diretos para turbinar receita — mesmo que o preço seja pago, literalmente, pela paciência dos usuários.
O crescimento nas assinaturas, porém, não resolveu todos os problemas da Snap: a base de usuários ativos diários chegou a 495 milhões no trimestre, abaixo da expectativa de analistas, que projetavam 499 milhões.