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IA13 de set. de 2026, 11:48

Só 13% das empresas sabem governar seus agentes de IA, diz Gartner

A Gartner projeta mais de 150 mil agentes de IA por grande empresa até 2028, ante menos de 15 em 2025, mas só 13% das organizações dizem ter governança adequada para controlá-los.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Uma legião invisível de agentes

Pense em um agente de IA como um estagiário que nunca dorme, tem acesso ao sistema da empresa e toma decisões sozinho — só que, em vez de um estagiário, uma companhia pode ter em breve dezenas de milhares deles rodando ao mesmo tempo. É a projeção da Gartner, consultoria referência em pesquisas sobre tendências de tecnologia corporativa: até 2028, uma empresa média da lista Fortune 500 deve operar mais de 150 mil agentes de IA. Em 2025, eram menos de 15.

Em bom português: a empresa passa de administrar um punhado de assistentes digitais para administrar uma população inteira deles — sem necessariamente saber quem são, o que fazem ou quem os autorizou.

O descompasso da governança

O problema é que a velocidade de adoção não acompanha a capacidade de controle. Segundo a própria Gartner, apenas 13% das organizações afirmam ter hoje uma estrutura adequada de governança para agentes de IA — ou seja, quase nove em cada dez empresas não sabem ao certo quantos agentes têm ativos, quais dados eles acessam ou que decisões tomam sozinhos.

É como deixar uma frota de carros autônomos circular pela cidade sem placa, sem seguro e sem ninguém sabendo quantos estão na rua. Cada agente isolado pode ser útil e seguro; o risco mora na multiplicação sem controle — o que a Gartner chama de "agent sprawl", ou proliferação descontrolada.

Os dois lados do problema

De um lado, empresas que ignoram a governança correm risco real: vazamento de dados, decisões automatizadas sem revisão humana, agentes com permissões maiores do que deveriam ter. De outro, quem trava esse avanço com burocracia em excesso perde competitividade — a própria Gartner recomenda não aplicar regras uniformes demais a todos os agentes, sob risco de travar a operação que a tecnologia deveria acelerar.

A recomendação prática da consultoria passa por seis etapas: inventário central de agentes, controle de identidade e permissões, monitoramento contínuo de comportamento e uma cultura interna de uso responsável. Fica a pergunta que a maioria das empresas ainda não respondeu: quem, na prática, fiscaliza esse exército de agentes dentro de casa?

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