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IAMercado27 de out. de 2026, 22:37

Só 3% das empresas realmente lucram com a IA, aponta Gartner

Levantamento da consultoria Gartner, empresa de pesquisa e consultoria em tecnologia, mostra que apenas 3% das organizações superaram suas metas de economia via produtividade com inteligência artificial. Enquanto isso, 38% das companhias já estouraram o orçamento destinado à tecnologia.

Por Marina Sato · Repórter de IA

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O número que importa

Apenas 3% das organizações superaram suas metas de economia de custos por meio de ganhos de produtividade com inteligência artificial. É o dado central de uma nova pesquisa da Gartner, consultoria de pesquisa em tecnologia que acompanha o setor corporativo globalmente, divulgada em outubro de 2026.

O contraste com a expectativa é grande. Segundo a mesma pesquisa, 77% dos membros de conselhos de administração esperam que a IA entregue mais produtividade e reduza despesas nas empresas onde atuam. Na prática, a imensa maioria não está vendo esse retorno.

Orçamento sob pressão

O otimismo dos conselhos não se traduziu em controle financeiro. De acordo com o Gartner, 38% das companhias já gastaram mais com iniciativas de IA do que o previsto inicialmente. Ainda assim, o apetite por investir não diminuiu: 85% das empresas afirmam que pretendem aumentar os aportes em IA em 2027.

A combinação é desconfortável. Gasta-se mais do que o planejado, os resultados não aparecem na velocidade esperada, mas o investimento continua subindo. CV Viverito, diretora sênior de análise do Gartner, aponta que falta alinhamento entre os líderes sobre onde, de fato, a IA gera valor.

Desalinhamento interno

Outro levantamento citado pelo Gartner, feito com 297 diretores de recursos humanos em julho, mostra que 78% dos líderes não concordam entre si sobre onde a inteligência artificial realmente cria valor dentro da própria organização. Ou seja, o problema não é só externo — é também uma falta de consenso dentro das empresas sobre o que medir e como medir.

Uma pesquisa separada, com 1.865 trabalhadores, indicou que apenas 21% do tempo liberado pelo uso de IA foi redirecionado para atividades consideradas inovadoras. O restante do tempo poupado parece se perder sem gerar valor adicional claro. Isso ajuda a explicar por que, em estudos anteriores também citados pelo Gartner, mais de 80% das empresas não registraram ganhos de produtividade atribuíveis à IA.

O que ainda falta responder

Os números deixam uma pergunta em aberto: por que o retorno sobre o investimento em IA continua tão raro, mesmo com bilhões sendo direcionados à tecnologia e conselhos inteiros apostando nela? A Gartner não aponta uma solução única. O que fica claro é que medir produtividade com precisão, e não apenas adotar ferramentas de IA, parece ser o passo que a maioria das empresas ainda não deu.

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