
Sob demanda travada, Rocket Lab aposta em spaceport portátil e Blue Origin dobra pads
Enquanto a Firefly diz nunca ter visto a capacidade de lançamento tão restrita, a Rocket Lab revela um spaceport transportável em contêineres e a Blue Origin decide duplicar sua plataforma na Flórida após a explosão da New Glenn em maio.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Pra escala humana: o guindaste que ergue o novo prédio de integração da Blue Origin na Flórida é maior do que muitos edifícios de escritório — e vai ficar ao lado de uma plataforma de lançamento ainda enegrecida pela explosão de maio. É nesse cenário de reconstrução acelerada, e ao mesmo tempo de fila cada vez mais apertada por horários de lançamento, que a indústria espacial dos EUA fechou a semana, segundo o mais recente Rocket Report do Ars Technica.
O que está confirmado: Rocket Lab lança o GHOST
Em 10 de agosto, junto com resultados trimestrais que trouxeram receita recorde, a Rocket Lab confirmou o GHOST (Global Hypersonic & Orbital Spaceport Technology): um spaceport portátil que cabe em contêineres marítimos padrão, com toda a infraestrutura de solo, controle de faixa e suporte necessária para lançar sem depender de uma base fixa. O sistema é compatível com os foguetes Electron (orbital) e HASTE (suborbital) — não com o Neutron, ainda em desenvolvimento. A empresa já confirmou o primeiro uso prático: dois pads do GHOST no Pacific Spaceport Complex, no Alasca, segundo nota oficial da companhia e reportagem da Payload Space.
O que está confirmado: Blue Origin duplica a LC-36
Também está confirmado o motivo por trás do plano de dois pads da Blue Origin. Em 28 de maio, o foguete New Glenn explodiu por volta das 21h durante um teste de disparo estático no Complexo de Lançamento 36 (LC-36), em Cabo Canaveral — o incêndio destruiu o primeiro estágio, provocou a explosão do segundo e derrubou uma das torres de para-raios do local, único pad operacional da New Glenn na época, segundo apuração da NASASpaceFlight.com. Não houve feridos. Como resposta, a empresa decidiu duplicar a capacidade do complexo: o LC-36A atenderá a variante menor da New Glenn, enquanto o novo LC-36B, ainda em construção, foi projetado para a versão maior do foguete, junto com um novo prédio de integração vertical e uma instalação de processamento de carga útil em parceria com o governo americano, segundo a Fox 35 Orlando.
O que é plano, não fato consumado
A meta de relançar a New Glenn ainda em 2026, citada por Zac Aubert, do Launch Pad Network, é objetivo declarado da Blue Origin — não há data de conclusão confirmada para o LC-36B. Da mesma forma, o cronograma do GHOST no Alasca depende de obras que ainda não começaram.
O pano de fundo: fila de lançamento apertada
A frase que dá nome à semana — "nunca vimos a capacidade de lançamento tão restrita" — foi dita por Jason Kim, CEO da Firefly Aerospace, em teleconferência de resultados no dia 11 de agosto, ao comentar a forte demanda pelo foguete Alpha e o desenvolvimento do Eclipse. É o mesmo gargalo que explica por que Rocket Lab e Blue Origin estão investindo em mais flexibilidade de lançamento.