
Sob pressão de processos, Suno anuncia marca d'água em músicas com IA
A Suno, plataforma de geração musical por IA, anunciou que passará a usar watermarking e fingerprinting de áudio para identificar faixas criadas em sua ferramenta, enquanto enfrenta processos de UMG, Sony Music e RIAA por violação de direitos autorais.
Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana
Suno aposta em transparência em meio a processos judiciais
A Suno, uma das principais plataformas de geração de música por inteligência artificial, anunciou nesta quinta-feira (6) que vai começar a aplicar marcas d'água (watermarking) e fingerprinting de áudio nas faixas criadas por seus usuários. A medida busca dificultar o uso indevido das músicas geradas em outras plataformas de streaming e chega em meio a uma série de batalhas legais que a empresa enfrenta.
Segundo o CEO e cofundador Mikey Shulman, as novas ferramentas "são projetadas para ser duráveis e resistentes a adulterações, sem afetar a experiência de audição". A empresa também afirmou, em declaração à Music Business Worldwide, que "acredita que a transparência é importante" e que está investindo em watermarking, fingerprinting de áudio e outras ferramentas que permitem aos artistas divulgar se usaram IA em uma música — deixando a decisão final sobre divulgação a cargo de artistas e plataformas.
Foto: reprodução/musicbusinessworldwide.com
Parceria com a Musixmatch
Além do watermarking, a Suno fechou acordo com a Musixmatch para adotar o sistema Sentinel, tecnologia de detecção de direitos autorais que analisa prompts e áudios gerados em busca de conteúdo protegido. A empresa também atualizou suas diretrizes comunitárias para proibir "áudio enganoso apresentado como real" e anunciou uma nova política de download para conter a distribuição em massa de faixas.
Processos em várias frentes
O anúncio ocorre enquanto a Suno segue processada por Universal Music Group e Sony Music, em ação coordenada pela RIAA (Recording Industry Association of America), que acusam a empresa de treinar seus modelos de IA usando músicas protegidas sem autorização. A Warner Music Group, que também fazia parte do processo, deixou o caso em novembro de 2025 após fechar acordo de licenciamento com a Suno.
A companhia também foi condenada em julho de 2026 por um tribunal alemão em ação movida pela GEMA, agência de licenciamento musical do país, por violação de direitos autorais. Nos Estados Unidos, a Suno ainda responde a uma ação coletiva em Massachusetts relacionada a um vazamento de dados ocorrido em novembro de 2025, que expôs informações de 55 milhões de usuários.
Contexto financeiro
Apesar do cenário jurídico adverso, a Suno levantou US$ 400 milhões em uma rodada Série D em junho de 2026, reforçando o interesse de investidores mesmo com os processos em aberto. A iniciativa de watermarking se soma a um movimento mais amplo da indústria fonográfica: organizações como IFPI, RIAA, Recording Academy e SAG-AFTRA propuseram recentemente um sistema voluntário de rotulagem para identificar músicas geradas ou assistidas por IA.
Atualização (06/08, 15:46): A Suno detalhou como pretende identificar composições geradas por sua IA: a empresa vai combinar watermarking de áudio com fingerprinting digital, tecnologias que o CEO Mikey Shulman descreveu como "duráveis e resistentes a adulteração, sem afetar a experiência de audição". A verificação de autenticidade contará com o sistema Sentinel, da Musixmatch, hoje usado por plataformas de streaming para detectar violações de direitos autorais.
Além do selo técnico, a empresa atualizou suas diretrizes de comunidade para proibir "áudio enganoso apresentado como real" e o uso não autorizado de vozes e semelhanças de terceiros, e prepara uma nova política de downloads para dificultar a distribuição em massa de faixas em outras plataformas de streaming — sem afetar, segundo a Suno, o uso comum de criadores e assinantes.
O anúncio ocorre em meio a processos movidos pela Universal Music Group, pela Sony Music Group e pela agência alemã de direitos autorais GEMA, além de uma ação coletiva sobre um vazamento de dados de novembro de 2025 que expôs informações de 55 milhões de usuários da Suno — pressão que se soma aos US$ 400 milhões captados pela empresa em junho de 2026.
Atualização (06/08, 18:47): A Suno detalhou como pretende colocar em prática a marca d'água anunciada em meio aos processos judiciais movidos por gravadoras. Segundo a empresa, a tecnologia vai combinar marca d'água inaudível embutida no áudio com um sistema de "fingerprinting" (impressão digital), permitindo identificar faixas geradas pela plataforma mesmo depois de serem baixadas e reenviadas a outros serviços de streaming. A Suno também fechou parceria com a Musixmatch para usar o sistema Sentinel, de detecção de direitos autorais, no reforço da checagem de conteúdo.
Outra novidade é a nova política de downloads: usuários do plano gratuito só poderão tocar e compartilhar músicas dentro da própria plataforma, sem opção de baixar, enquanto assinantes pagos terão um limite mensal de downloads, com possibilidade de comprar cotas extras. A medida mira principalmente esquemas de fraude em que usuários geram centenas ou milhares de faixas por IA, publicam em serviços de streaming concorrentes e usam bots para gerar reproduções falsas e faturar royalties indevidos — prática que a empresa descreve como "abuso em larga escala".
A Suno não divulgou cronograma de lançamento nem confirmou se vai adotar um padrão de mercado, como o SynthID do Google, ou uma solução própria, e ainda não anunciou acordo formal com as gravadoras que a processam, como Universal Music Group e Sony Music.