
SoftBank doou US$ 50 mi à biblioteca de Trump antes de fechar data center
SoftBank revelou ter doado US$ 50 milhões à fundação da futura biblioteca presidencial de Trump, meses antes de firmar acordo bilionário para construir um data center em terras federais de Ohio. A empresa só divulgou o momento da doação após ser questionada por senadores dos EUA.
Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana
Doação e negócio com o governo dos EUA na mira de senadores
A SoftBank Group confirmou ter doado US$ 50 milhões à fundação responsável pela futura biblioteca presidencial de Donald Trump, uma das maiores contribuições já divulgadas publicamente para o projeto. A empresa japonesa revelou o momento exato da doação somente em resposta a uma carta enviada por senadores dos Estados Unidos em junho, que questionavam a origem e o timing dos aportes recebidos pela fundação.
A doação ocorreu meses antes de a SoftBank anunciar um acordo para arrendar terras do governo federal norte-americano e construir um data center de grande porte em Ohio, no local do antigo complexo de enriquecimento de urânio Portsmouth, no condado de Pike. O projeto, batizado de PORTS Technology Campus, prevê uma capacidade de 10 gigawatts e é apresentado pelo governo Trump e pela SoftBank como parte de uma parceria público-privada que pode movimentar até US$ 500 bilhões em investimentos na região, segundo o CEO da SoftBank, Masayoshi Son.
Foto: reprodução/insurancejournal.com
Investigação de senadores democratas
Em julho, as senadoras Elizabeth Warren (D-MA) e Richard Blumenthal (D-CT), além da deputada Melanie Stansbury (D-NM), abriram uma investigação sobre a doação da SoftBank à fundação da biblioteca de Trump, classificando-a como a maior contribuição publicamente conhecida ao projeto e levantando a possibilidade de que se trate de uma tentativa de conquistar favorecimento político. Segundo o Washington Post, os parlamentares democratas pressionam a conglomerada japonesa — que mantém negócios relevantes com o governo federal — a explicar as circunstâncias da doação.
Um ponto central da controvérsia é o fato de a contribuição ter sido feita enquanto Trump ainda ocupa a Casa Branca, e não anos após deixar o cargo, como costumava ocorrer com doações a bibliotecas de ex-presidentes, incluindo as de Reagan e George W. Bush, que só receberam aportes da SoftBank depois de prontas.
Interesses da SoftBank no governo americano
A SoftBank é uma das maiores investidoras em inteligência artificial do mundo e atua ativamente em lobby sobre políticas de IA em Washington. A empresa já havia se comprometido, em 2024, a investir US$ 100 bilhões em companhias americanas ao longo do mandato de Trump. O acordo do data center em Ohio também está vinculado ao Acordo Estratégico de Comércio e Investimento entre EUA e Japão, que inclui US$ 33,3 bilhões em recursos japoneses destinados a novas usinas de geração de energia a gás natural para abastecer o empreendimento.
Procurada pelos senadores, a SoftBank confirmou os valores e a cronologia da doação, mas a empresa e a Casa Branca não se pronunciaram publicamente sobre eventual relação entre a contribuição à biblioteca e o acordo do data center.