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SegurançaMercado23 de set. de 2026, 20:56

Software de direção autônoma da Comma AI é investigado nos EUA após mortes

A NHTSA abriu investigação federal sobre o openpilot, sistema de assistência à condução da Comma AI, após cinco acidentes — dois deles fatais, com três mortes. Parte dos casos envolve versões modificadas ('forked') do software original.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

A NHTSA (agência reguladora de segurança veicular dos Estados Unidos), por meio de seu Escritório de Investigação de Defeitos (ODI), abriu uma investigação federal sobre a Comma AI, startup americana fundada em 2015 por George Hotz que vende dispositivos aftermarket para transformar carros comuns em veículos com direção assistida "mãos livres". O software da empresa, chamado openpilot, controla funções como piloto automático adaptativo e centralização de faixa, de forma parecida com o Autopilot da Tesla.

Segundo a reportagem do TechCrunch, a investigação abrange cinco acidentes, sendo dois fatais — com um total de três mortes — e outros quatro com feridos, somando 11 pessoas machucadas. Um dos casos fatais ocorreu em fevereiro de 2026 em Ascension Parish, na Louisiana: um Toyota RAV4 equipado com o dispositivo colidiu com uma viatura policial parada, matando dois passageiros do banco de trás. Outro acidente, em Cameron, no Missouri, envolveu um Honda Accord trafegando a cerca de 132 km/h no momento do impacto.

De acordo com os reguladores, os incidentes teriam em comum a falha do sistema em detectar ou reagir adequadamente a veículos parados ou em baixa velocidade na mesma faixa, resultando em colisões em alta velocidade.

Quem é afetado

O caso levanta uma questão específica: pelo menos parte dos acidentes, incluindo o fatal na Louisiana, envolveu não o openpilot original, mas uma versão "forked" — ou seja, modificada por terceiros a partir do código aberto da Comma. No caso da Louisiana, o carro rodava o FrogPilot, um fork não oficial do openpilot. A própria Comma AI informou aos reguladores que o uso de software de terceiros limita sua capacidade de investigar o que deu errado, já que a empresa não tem controle sobre alterações feitas fora de sua base de código oficial.

Isso coloca sob holofote motoristas que utilizam softwares de direção assistida baseados em código aberto, além de levantar dúvidas sobre onde termina a responsabilidade do fabricante original e onde começa a do desenvolvedor do fork — ou do próprio usuário que optou por instalar uma versão não homologada.

O que se sabe até agora

A Comma AI e George Hotz não responderam a pedidos de comentário do TechCrunch até a publicação da reportagem. A investigação da NHTSA ainda está em andamento, sem prazo definido para conclusão, e por ora não há recall ou determinação oficial de defeito. O caso deve testar como reguladores tratam sistemas de assistência à condução distribuídos como hardware aftermarket com software de código aberto — um modelo diferente dos sistemas fechados oferecidos por montadoras.

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