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Ciência20 de set. de 2026, 18:01

Sol fica sem manchas pela primeira vez em sete meses

O Sol amanheceu "limpo" em 18 de setembro, sem nenhuma mancha ativa visível — algo que não acontecia desde fevereiro. O respiro chega justamente quando o Ciclo Solar 25 começa a perder força após o pico de atividade em 2024.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: um dia sem "cicatrizes" no Sol

Imagine olhar para o rosto de alguém que normalmente tem sardas e, de repente, não ver nenhuma. Foi mais ou menos isso que aconteceu com o Sol em 18 de setembro de 2026: pela primeira vez desde 24 de fevereiro, o lado visível da estrela não apresentou nenhuma mancha solar ativa. No dia seguinte, 19 de setembro, o fenômeno se repetiu — dois dias seguidos de disco solar sem marcas, um intervalo de quase sete meses desde a última vez que isso foi registrado.

O que é confirmado

Manchas solares são regiões mais frias da superfície do Sol — entre 3.500°C e 4.500°C, contra os cerca de 5.500°C do restante da fotosfera — associadas a campos magnéticos intensos. É delas que partem a maior parte das erupções solares capazes de lançar nuvens de partículas pelo espaço. A ausência de manchas visíveis não significa que o Sol "desligou": segundo os monitoramentos da NASA (pelo satélite SDO) e do Centro de Previsão do Tempo Espacial da NOAA (SWPC, agência americana responsável por rastrear tempestades solares), ainda há regiões ativas do lado oculto da estrela, que devem reaparecer conforme o Sol gira sobre seu próprio eixo.

O momento chama atenção porque o Ciclo Solar 25 — o padrão de 11 anos de altos e baixos na atividade solar — teve seu pico em agosto de 2024, quando foram contadas 337 manchas em um único dia, a marca mais alta desde março de 2001. De lá para cá, a tendência é de declínio gradual, e dias sem manchas tendem a se tornar mais frequentes à medida que o ciclo caminha para o mínimo.

O que ainda é hipótese

Um ou dois dias sem manchas não permitem cravar que o Sol entrou definitivamente numa fase de baixa atividade prolongada — isso só fica claro observando semanas ou meses de dados. Vale lembrar que a própria semana anterior ao "apagão" de manchas foi de atividade geomagnética real: entre 13 e 14 de setembro, ejeções de massa coronal apontadas para a Terra foram detectadas, e uma delas, ligada à região ativa catalogada como AR4528, chegou à Terra por volta do dia 17. Depois do episódio sem manchas, o monitoramento da NOAA projeta condições geomagnéticas voltando a níveis tranquilos (índice Kp entre 0 e 3).

Por que isso importa

Manchas e as erupções associadas a elas podem afetar satélites, sinais de GPS e redes elétricas na Terra — mas também são responsáveis pelas auroras boreais e austrais. Um Sol mais "quieto", ainda que temporário, reduz esse risco no curto prazo, mesmo com o ciclo solar 25 longe de terminar.

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