
Solar cresce menos nos EUA em 2026, mas ainda supera o carvão pela 1ª vez
Dados de 2026 mostram a geração solar americana crescendo em ritmo percentual menor que nos anos anteriores, mas o motivo é mais matemático do que um freio real — e em maio o setor já gerou mais eletricidade que o carvão.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: imagine que o número absoluto de painéis instalados continua enorme, mas a régua percentual encolhe porque a base de comparação já é gigante
É mais ou menos isso que os dados de 2026 mostram sobre a energia solar nos Estados Unidos. Depois de anos em que a geração solar trimestral costumava crescer mais de 30% na comparação ano a ano, esse ritmo caiu visivelmente neste ano — o que abriu a pergunta que dá título à reportagem original da Ars Technica: o crescimento do solar está, finalmente, desacelerando?
O que está confirmado
A demanda de eletricidade nos Estados Unidos subiu 2% nos primeiros sete meses de 2026, ante um avanço de 3% no mesmo período de 2025 — mesmo com o consumo crescente de data centers, veículos elétricos e bombas de calor. Já a geração solar, embora continue subindo em termos absolutos, mostra taxas percentuais menores que as dos últimos anos.
Um marco histórico também é dado confirmado: em maio de 2026, a energia solar gerou mais eletricidade que o carvão pela primeira vez em um mês inteiro nos Estados Unidos, respondendo por 12,8% da matriz elétrica do país contra 12,2% do carvão, segundo dados da Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA, agência federal responsável pelas estatísticas oficiais de energia do país).
O que é explicação matemática, não desaceleração real
Parte da queda no crescimento percentual é um efeito estatístico: quando a base instalada de painéis solares já é grande, a mesma quantidade de megawatts novos representa uma fatia proporcional menor do total. Ou seja, o setor pode estar adicionando capacidade em ritmo semelhante — só que o número relativo parece menor porque o denominador cresceu.
O que é projeção, não fato consolidado
Aqui a reportagem original separa o terreno mais incerto: um levantamento da SEIA (associação que representa a indústria solar americana) em conjunto com a consultoria de pesquisa em energia Wood Mackenzie projeta que a capacidade solar nova instalada em 2030 será mais de 10% menor do que em 2025. A previsão já embute o efeito de novas tarifas dos EUA sobre aço e alumínio importados, insumos usados em projetos solares — mas não inclui possíveis cortes a créditos fiscais de energia limpa que ainda tramitam no Congresso americano. Ou seja, é um cenário sujeito a mudar conforme decisões políticas ainda em aberto.
Por que isso importa
Mesmo com o crescimento percentual menor, 2026 deve fechar com um recorde de 86 gigawatts em nova capacidade elétrica instalada nos EUA, com o solar respondendo por pouco mais da metade — e solar, eólica e armazenamento juntos somando 93% de toda a capacidade nova prevista para o ano. A leitura mais honesta, portanto, não é de colapso, mas de amadurecimento: o solar segue como a principal fonte de expansão elétrica do país, só que a curva de crescimento entra numa fase menos vertiginosa.