tech & talk
Ciência30 de set. de 2026, 01:35

Sonda Juice usa gravidade da Terra para ajustar rota rumo a Júpiter e economizar combustível

A sonda europeia Juice passou a 8.640 km da Terra em 28 de setembro, mudando de rota em cerca de 20 graus e ganhando 3,5 km/s de velocidade sem gastar combustível extra, a caminho de Júpiter.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

Compartilhar

Pra escala humana

Imagine dar um empurrão de quase 13 mil km/h em um veículo do tamanho de um ônibus, sem gastar uma gota extra de combustível — só aproveitando a gravidade do planeta que ele já conhece bem: a Terra. Foi exatamente isso que aconteceu em 28 de setembro de 2026 com a sonda Juice, da ESA (Agência Espacial Europeia).

O que é confirmado

A Juice (sigla para Jupiter Icy Moons Explorer) foi lançada em abril de 2023 do Porto Espacial Europeu, na Guiana Francesa. No domingo, a sonda passou a apenas 8.640 quilômetros da superfície terrestre, sobre o Oceano Índico, em uma manobra de assistência gravitacional — técnica que usa o campo gravitacional de um planeta para alterar a trajetória e a velocidade de uma espaçonave sem consumo adicional de propelente. A passagem mudou o curso da sonda em aproximadamente 20 graus e aumentou sua velocidade em cerca de 3,5 km/s, segundo a ESA.

Esse foi o terceiro de quatro sobrevoos gravitacionais planejados para a missão. O próximo, e último, está marcado para janeiro de 2029, também pela Terra. A soma dessas manobras é o que vai colocar a Juice na rota correta para chegar a Júpiter em julho de 2031 — sem esses "empurrões" gravitacionais, a sonda precisaria carregar combustível suficiente para fazer toda a aceleração sozinha, o que tornaria a missão inviável em termos de peso e custo.

O objetivo da missão

Uma vez no sistema joviano, a Juice vai realizar 35 sobrevoos das luas geladas de Júpiter — Ganimedes, Europa e Calisto — antes de entrar em órbita ao redor de Ganimedes, na década de 2030, tornando-se a primeira sonda a orbitar uma lua de outro planeta que não a Terra. O objetivo científico é investigar se essas luas, que abrigam oceanos de água líquida sob suas crostas de gelo, reúnem condições potencialmente habitáveis.

O que ainda não aconteceu

A chegada a Júpiter e a entrada em órbita de Ganimedes ainda são etapas futuras da missão, dependentes do sucesso das manobras remanescentes, incluindo o sobrevoo de 2029. Os dados científicos sobre as luas geladas só começarão a ser coletados quando a sonda atingir o sistema joviano, em 2031.

espaçojúpiteresaexploração espacialastronomia
Compartilhar