
Sonho americano mudou: relatório diz que cidades precisam se atualizar
Estudo da McKinsey Institute for Economic Mobility com a Fundação W.K. Kellogg mostra que segurança financeira, saúde, moradia acessível e senso de pertencimento superaram a casa própria como definição de mobilidade econômica nos EUA — e cobra novas prioridades das cidades.
Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana
Pesquisa com 30 mil pessoas redesenha o conceito de prosperidade urbana
Um novo relatório do McKinsey Institute for Economic Mobility, em parceria com a W.K. Kellogg Foundation, mostra que o tradicional "sonho americano" — resumido por décadas à casa própria — deixou de refletir o que os moradores das cidades dos Estados Unidos realmente buscam. Divulgado em 6 de agosto de 2026, o estudo "In Pursuit of Progress: Americans' Aspirations for Economic Mobility" ouviu mais de 30 mil adultos nos 50 estados norte-americanos, além de entrevistas em profundidade e grupos focais, e conclui que cidades precisam repensar prioridades para acompanhar essa mudança.
O que os moradores dizem priorizar
Segundo o levantamento, quase dois terços dos entrevistados apontam segurança financeira nos próximos três a cinco anos como elemento central para uma vida melhor — mas o custo de vida em alta é o principal obstáculo relatado. Cerca de 90% dos respondentes citaram o preço de alimentos e supermercado como principal preocupação com custos, à frente até de moradia e saúde. Moradores de áreas urbanas têm 1,3 vez mais chance do que os de áreas rurais de colocar habitação acessível entre as prioridades. Renda elevada não elimina a pressão: entre quem ganha mais de US$ 150 mil por ano, 59% ainda citam o custo de vida como uma das três maiores barreiras, ante 57% entre quem ganha menos de US$ 50 mil.
Outro dado chama atenção dos pesquisadores: apenas um terço dos entrevistados diz sentir forte conexão com a própria comunidade. "A conexão parece importar mais do que a circunstância. As pessoas conseguem prosperar quando se sentem conectadas, apoiadas e com um senso geral de pertencimento", afirma John-Paul Julien, do McKinsey Institute for Economic Mobility.
Recomendações para gestores urbanos
O relatório recomenda que cidades tratem saúde como infraestrutura econômica crítica, tão essencial quanto transporte ou saneamento, e ampliem o acesso a empregos por meio de parcerias entre poder público e filantropia. Childcare acessível também aparece como prioridade: "A capacidade de um pai ou mãe trabalhar está diretamente ligada a encontrar cuidado infantil acessível e disponível", diz Carla Thompson Payton, diretora de estratégia e impacto da Kellogg Foundation. Como exemplo prático, o relatório cita o programa MI Tri-Share, em Michigan, no qual empregadores, trabalhadores e o governo estadual dividem o custo do cuidado infantil.
Por que isso interessa ao Brasil
Para gestores públicos e planejadores urbanos brasileiros, o estudo reforça uma tendência já discutida em fóruns de cidades inteligentes: dados populacionais amplos e desagregados por renda, região e faixa etária são ferramentas centrais para calibrar políticas de mobilidade social — não apenas mobilidade urbana. A lição central é que investimento em infraestrutura física precisa vir acompanhado de políticas de saúde, emprego e vínculo comunitário para gerar prosperidade duradoura nas cidades.