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Ciência24 de set. de 2026, 23:11

Sono insuficiente pode reduzir expectativa de vida, aponta estudo

Pesquisa com 3.141 condados dos EUA aponta o sono como o segundo fator comportamental mais associado à expectativa de vida, atrás só do tabagismo.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Pra escala humana: dormir menos de 7 horas por noite, hábito comum a milhões de pessoas, apareceu como o segundo fator comportamental mais associado a uma vida mais curta em uma análise que cobriu 3.141 condados dos Estados Unidos — praticamente todo o país, condado por condado. Só o tabagismo pesou mais.

O estudo, publicado na revista científica SLEEP Advances, da Oxford University Press, foi conduzido por pesquisadores da Oregon Health & Science University (OHSU), universidade de pesquisa em saúde no estado americano do Oregon. A autora principal é a enfermeira e pesquisadora Kathryn E. McAuliffe; o autor sênior, Andrew McHill, é professor associado de enfermagem e medicina na mesma instituição.

O que foi confirmado

A equipe cruzou dados de expectativa de vida por condado com o BRFSS, pesquisa telefônica anual sobre comportamento de saúde conduzida pelos departamentos estaduais dos EUA em parceria com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), entre 2019 e 2025. "Sono insuficiente" foi definido como menos de 7 horas por noite, padrão da Academia Americana de Medicina do Sono.

Mesmo depois de descontar o efeito de tabagismo, sedentarismo, insegurança alimentar, desemprego, escolaridade, acesso a plano de saúde, isolamento social, obesidade e diabetes, a associação entre sono insuficiente e menor expectativa de vida se manteve consistente na maioria dos estados e dos anos analisados.

O que ainda é hipótese

O estudo mostra correlação, não causa. Os pesquisadores não investigaram os mecanismos biológicos que ligariam a falta de sono a uma vida mais curta — só documentaram que os dois fatores caminham juntos. A pesquisa também não mede qualidade do sono, distúrbios como apneia, nem captura bem trabalhadores em turnos alternados, que costumam dormir menos por razões diferentes de escolha pessoal.

Antes de qualquer conclusão definitiva, falta entender o "porquê" biológico — e é isso que estudos futuros de causalidade precisam responder.

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