
Sonos Ace Ultra: o fone que a marca deveria ter lançado desde o início
Sucessor do Ace original chega por US$ 449 corrigindo autonomia, ANC e integração com o ecossistema Sonos — méritos que o primeiro modelo não teve por causa da crise do app da empresa em 2024.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
Um acerto de contas com o próprio passado
A Sonos, fabricante americana conhecida por caixas de som multi-room, lançou o Ace Ultra, sucessor do headphone Ace original. Segundo review da Engadget, o novo fone é "o que o Ace original deveria ter sido" — uma citação que resume bem o problema do primeiro modelo: ele chegou ao mercado em 2024 com boa qualidade sonora, mas foi ofuscado pela crise do aplicativo da Sonos, um redesign desastroso que irritou usuários e culminou na renúncia do CEO da empresa.
O Ace Ultra foi anunciado em 1º de setembro de 2026 e está à venda desde 29 de setembro, ao lado do novo soundbar Beam Ultra e da plataforma renovada Sonos 27. O preço nos Estados Unidos é US$ 449 — o mesmo valor de lançamento do Ace original —, com equivalentes de €449 na Europa e £399 no Reino Unido.
Foto: reprodução/engadget.com
O que muda na prática
O fone usa um driver de 40mm projetado pela própria Sonos e um arranjo de dez microfones dedicado ao cancelamento de ruído ativo (ANC), que a marca afirma ser até duas vezes mais eficiente que o do modelo anterior, com melhor controle de frequências graves (até 65Hz). Na experiência de uso, isso se traduz em um silêncio mais consistente em ambientes barulhentos, sem o efeito de pressão nos ouvidos comum em ANCs mais agressivos.
A bateria sobe de 30 para 35 horas com ANC ligado, e passa a ser substituível pelo usuário através de um kit vendido à parte por cerca de US$ 25 — um gesto raro de reparabilidade nesse segmento. Os controles físicos do Ace original deram lugar a comandos touch, e o equalizador ganhou ajuste em 3 ou 8 bandas, permitindo afinar o som conforme o gosto.
Foto: reprodução/soundguys.com
A maior novidade, porém, é a integração real com o ecossistema Sonos via Wi-Fi: o recurso Headphone Linking permite puxar o áudio que está tocando em uma caixa ou soundbar Sonos diretamente para o fone, e o TV Audio Swap facilita alternar entre a TV e o headphone. É o tipo de recurso que, para quem já vive dentro do universo Sonos, parece óbvio — e por isso mesmo seu atraso incomoda: deveria ter estado no Ace desde o primeiro dia.
Vale o preço no Brasil?
O Ace Ultra não tem venda oficial no Brasil, mas os US$ 449 cobrados nos EUA, convertidos direto e sem impostos de importação, já passam de R$ 2.400 — e um produto assim facilmente custaria R$ 4 mil a R$ 5 mil por aqui, via importação ou câmbio paralelo. É dinheiro de sobra para rivais como o Sony WH-1000XM6 ou o Bose QuietComfort Ultra, que competem de igual para igual em ANC e qualidade sonora sem exigir que o usuário viva dentro do ecossistema de uma marca específica.
Dito isso, para quem já tem caixas Sonos em casa, o Ace Ultra finalmente entrega a integração que fazia falta — e corrige, com autonomia maior e bateria trocável, as maiores queixas do modelo original. É o fone que resgata a credibilidade da Sonos depois do tropeço do app. Fora do ecossistema da marca, é mais difícil justificar o investimento.