
Sony Ericsson: o que sobrou da marca 14 anos após seu fim
A Sony pagou €1,05 bilhão para comprar a fatia da Ericsson e encerrar a joint venture em 2012. A marca sumiu das prateleiras, mas seu legado sobrevive na linha Xperia e nos sensores de imagem da Sony.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
€1,05 bilhão foi o preço para acabar com a Sony Ericsson
Foi esse o valor que a Sony pagou para comprar a fatia da Ericsson na joint venture que as duas empresas mantinham desde 2001. O anúncio saiu em outubro de 2011, mas a transação só foi concluída em 15 de fevereiro de 2012, quando a Sony Ericsson Mobile Communications deixou de existir como entidade e virou Sony Mobile Communications, 100% controlada pela japonesa.
Como nasceu a parceria
A Sony Ericsson foi fundada em outubro de 2001, com participação igualitária de 50% para cada lado. A ideia era simples: juntar o know-how da Sony em eletrônicos de consumo, design, áudio e imagem com a força da Ericsson em engenharia de rádio e infraestrutura de telecomunicações. A joint venture começou a operar, coincidentemente, no mesmo dia em que a primeira rede 3G comercial do mundo entrou no ar, no Japão.
O resultado prático foram aparelhos que marcaram época, como o K750i, o W800, o W810, o K800 e o C905, além das linhas Walkman (foco em música) e Cyber-shot (foco em fotografia). Em 2008, ainda sob o guarda-chuva da joint venture, nasceu a marca Xperia, com o lançamento do Xperia X1 — muito antes de a parceria acabar.
Quem ficou com o quê
Após a dissolução, em 2012, a Sony assumiu integralmente o negócio de smartphones e manteve a marca Xperia, que segue no mercado até hoje, ainda que com presença bem mais discreta do que a de gigantes como Samsung e Apple. A companhia também manteve e expandiu sua atuação como fornecedora de sensores de imagem para outros fabricantes de celulares — um negócio que, hoje, tem peso relevante fora da linha de smartphones próprios.
A Ericsson, por sua vez, ficou de fora do mercado de aparelhos e concentrou seus esforços onde já era forte: equipamentos de infraestrutura para redes móveis, hoje com foco em 4G e 5G. Segundo dados da própria empresa, 2025 fechou com 236,7 bilhões de coroas suecas em vendas e 88.826 funcionários.
Quem ganhou e quem perdeu
No fim das contas, nenhuma das duas partes "perdeu" com o fim da sociedade — cada uma seguiu no segmento em que tinha mais força. A Ericsson evitou continuar exposta a um mercado de smartphones cada vez mais concentrado em poucos players, enquanto a Sony conseguiu unificar sua estratégia de mobile sob uma marca só, o Xperia, e ainda lucra vendendo sensores de câmera para concorrentes. A Sony Ericsson como nome desapareceu, mas seu DNA técnico segue vivo nos dois lados que a criaram.