
Sony pode recuar do fim dos discos no PS5 após consultar devs
Sob pressão da comunidade gamer, a Sony teria enviado uma pesquisa ampla a estúdios parceiros para medir o impacto do fim das mídias físicas, planejado para 2028.
Por Théo Ramos · Repórter de Games
A Sony tá sentindo o troco
Olha, eu avisei que isso ia dar problema. Segundo informações do podcast Broken Silicon, a Sony Interactive Entertainment enviou às desenvolvedoras parceiras uma das pesquisas mais abrangentes que já mandou — se não a maior de todas. O objetivo? Entender o tamanho da bola de neve que criaram ao anunciar o fim da produção de discos físicos do PS5, prevista para 2028.
A pesquisa não pergunta diretamente "vocês querem que a gente volte atrás?". É mais sutil: os estúdios são questionados se veem "um problema na forma como vendemos jogos em mídia física" — uma maneira de tatear a temperatura do mercado sem assumir publicamente que a decisão pode estar errada.
Por que isso importa pra quem joga
Mídia física não é nostalgia boba, é uma questão de direito do consumidor. Quem tem disco pode revender o jogo, emprestar pra um amigo, comprar de segunda mão por um preço menor, ou simplesmente ter a certeza de que aquele título vai continuar acessível mesmo se a loja digital sair do ar um dia. Tirar essa opção é empurrar o jogador pra um modelo em que ele nunca é dono de nada — só aluga acesso enquanto o servidor da Sony quiser.
Não à toa, a reação nas redes sociais virou o que a reportagem do Canaltech descreve como uma "guerra direta contra a Sony": qualquer post oficial da marca recebe uma enxurrada de memes, emojis de CD e pedidos de reconsideração. E não é só barulho de fã chato — segundo o mesmo levantamento, desenvolvedoras também demonstraram desconforto com o tema durante a gamescom 2026.
Um detalhe que derruba o argumento da Sony
Tem um dado que compromete bastante a tese de que discos não vendem mais: Marvel's Wolverine, um dos grandes lançamentos recentes da própria Sony, segue vendendo bem em mídia física. Se um jogo first-party de peso ainda performa nas prateleiras, fica difícil sustentar que o mercado de discos está morto por conta própria — parece mais uma decisão de conveniência corporativa do que uma resposta à demanda real.
E agora?
A Sony, pelo menos por ora, mantém o discurso de que vai seguir com o plano. Mas o fato de estar sondando devs tão a fundo sugere que a porta pra um recuo não está totalmente fechada. Vale ficar de olho: se a pressão continuar nesse ritmo, não seria surpresa ver um comunicado oficial revendo o cronograma — ou, na pior das hipóteses, só maquiando o problema com prazos mais longos.