
SP recusa radares com IA no trânsito da capital; entenda por quê
Prefeitura de São Paulo decide não usar câmeras de inteligência artificial para multar celular ao volante e falta de cinto nas ruas da cidade. Secretário diz que a tecnologia funciona melhor em rodovias.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
A decisão que pegou motorista paulistano de surpresa
Quem passa pelo Rodoanel Mário Covas ou pela Raposo Tavares já sente a câmera de IA no retrovisor. Mas dentro dos limites da capital paulista, essa fiscalização não vai chegar, pelo menos por ora. A Prefeitura de São Paulo confirmou que não vai adotar câmeras de monitoramento com inteligência artificial para multar motoristas por uso de celular ao volante ou falta de cinto de segurança nas vias municipais.
A declaração é de Gilmar Miranda, secretário executivo municipal de Mobilidade e Trânsito, dada durante o Future of Mobility Summit de 2026. Segundo ele, a tecnologia tem desempenho melhor em malhas rodoviárias extensas do que em ambientes urbanos densamente povoados. Em suas palavras, relatadas pelo Canaltech, 'em trechos menores, elas têm menos efetividade justamente pelo tamanho do espaço e até pelo volume de veículos'.
Foto: reprodução/portaldeprefeitura.com.br
Por que funciona na rodovia e não na rua
A explicação faz sentido técnico, mas levanta a pergunta que todo cidadão deveria fazer: se a tecnologia já prova resultado em rodovia, por que não adaptá-la para a cidade, em vez de simplesmente descartar? Nas rodovias estaduais, o sistema já mostra números concretos. No trecho concessionado da Raposo Tavares, entre os quilômetros 17 e 18, as câmeras aplicaram 2.316 multas em um único mês de operação, entre 3 de agosto e 3 de setembro.
Foto: reprodução/amp.dol.com.br
A falta de cinto de segurança lidera as ocorrências, com 1.386 flagrantes, multa de R$ 195,23 e 5 pontos na carteira. Uso de celular ao volante vem em seguida, com 930 casos, multa de R$ 293,47 e 7 pontos. O Rodoanel Mário Covas também já opera com o sistema, e a concessionária Ecovias planeja expandir a tecnologia para a Rodovia Castelo Branco.
Quem fiscaliza e quem paga a conta
Um detalhe que não pode passar batido: as câmeras captam a suspeita de infração, mas a validação final é humana, feita por uma central da Polícia Militar Rodoviária antes de a multa ser aplicada. Ou seja, não é decisão automática de máquina — tem gente por trás confirmando.
O que a Prefeitura não esclareceu é se a tecnologia foi avaliada e descartada por custo, por falta de testes-piloto na cidade, ou puramente por critério técnico. Comparado a outras capitais que já avançam com fiscalização por IA em vias urbanas, São Paulo escolhe o caminho mais conservador — e o motorista da capital continua sem essa camada extra de fiscalização dentro dos bairros, mesmo com números que mostram eficácia nas estradas ao redor.