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Ciência26 de out. de 2026, 23:07

Space Force corre contra o tempo para ter 3º porto espacial até 2030

Chefe do Space Systems Command, braço de aquisições da Força Espacial dos EUA, diz que Cabo Canaveral e Vandenberg vão esgotar capacidade; Pentágono avalia parceria privada, nova base federal ou terra estadual.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Um salto de cinco vezes na cadência de lançamentos

Hoje os dois grandes complexos de lançamento militar dos Estados Unidos, Cabo Canaveral (Flórida) e a Base Vandenberg (Califórnia), somam algo em torno de 200 lançamentos orbitais por ano. A meta oficial da Space Force — a Força Espacial dos EUA, ramo das Forças Armadas americanas dedicado a operações no espaço, subordinado ao Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos EUA — é sustentar até 1.000 lançamentos anuais a partir de 2030. É um salto de cinco vezes em apenas quatro anos, puxado tanto por satélites militares quanto pela explosão de megaconstelações comerciais como a Starlink.

Quem colocou esse número em público foi o tenente-general Philip Garrant, chefe do Space Systems Command, a maior organização de aquisições da Space Force. Em declarações recentes, ele resumiu o dilema: "Precisamos dessa capacidade até 2030, mas também sou pragmático. Não é uma exigência insignificante construir um porto espacial."

O que já é fato: dinheiro aprovado, decisão de local ainda não

O Congresso americano já destinou US$ 1,3 bilhão para o programa "Spaceport of the Future", pacote de modernização de infraestrutura em Cabo Canaveral e Vandenberg com prazo até 2028. Isso é decisão tomada e orçamento carimbado.

O que ainda não foi decidido é onde fica o terceiro porto espacial do país, nem como o terreno será obtido. Segundo Garrant, a Space Force formou recentemente uma equipe de planejamento operacional para avaliar a fundo o que a construção de um novo sítio exigiria, e o trabalho ainda está em estágio inicial — nas palavras dele, "bastante incipiente".

As opções na mesa, sem favorito declarado

Entre as alternativas em avaliação estão uma parceria público-privada, o aproveitamento de uma instalação federal já existente, o uso de terra estadual e também terra comercial. Garrant foi direto ao afirmar que nenhuma rota foi eliminada: "Todas têm pontos positivos e negativos. Ainda não tomamos essa decisão, mas não estamos descartando nenhuma delas."

Por ora, o prazo de 2030 é tratado pelo próprio general como "aspiracional" — um objetivo que orienta o planejamento, mas que pode escorregar se a escolha do local, o licenciamento ambiental e a construção não andarem no ritmo necessário. O episódio ilustra uma tensão crescente nos EUA: a infraestrutura de lançamento, pensada décadas atrás para um punhado de missões por ano, precisa se reinventar rápido para acompanhar a nova economia espacial.

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