
SpaceX adia 1º voo orbital da Starship para 28 de setembro
Megafoguete vai tentar completar a primeira órbita da Terra e levar 26 satélites Starlink V3 ao espaço; motivo do atraso de seis dias não foi revelado.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: um foguete do tamanho de um prédio de 30 andares tentando, pela primeira vez, dar a volta completa no planeta
A SpaceX remarcou o 14º voo de teste da Starship, seu maior e mais poderoso foguete, para a próxima segunda-feira, 28 de setembro, às 9h15 (horário de Brasília). O lançamento estava previsto para o dia 22, mas foi adiado em seis dias — a empresa não informou publicamente o motivo, e o voo ainda depende de aprovação regulatória, segundo apuração do Olhar Digital confirmada pelo site especializado Space.com.
O que está confirmado
Foto: reprodução/olhardigital.com.br
Esta será a primeira tentativa da Starship de completar uma órbita real da Terra — os 13 testes anteriores foram suborbitais, ou seja, o foguete subia e descia sem dar a volta completa no planeta. A missão vai carregar 26 satélites da nova geração Starlink V3, a rede de internet via satélite da própria SpaceX, que promete velocidades de download até dez vezes maiores que a geração anterior. Três desses satélites levarão câmeras para registrar, em tempo real, como o escudo térmico da nave se comporta durante a reentrada.
Segundo o cronograma divulgado, a missão deve durar cerca de dez horas no espaço, com a Starship completando por volta de seis órbitas a 275 km de altitude antes de amerissar no Oceano Pacífico, a oeste do Chile. Já o booster Super Heavy, a parte inferior do foguete, deve pousar no mar cerca de sete minutos após o lançamento, no Golfo do México.
O que ainda é teste, não certeza
A SpaceX também vai avaliar, pela primeira vez, a reutilização de ladrilhos do escudo térmico e peças curvas de proteção térmica em áreas mais vulneráveis do casco — tecnologia essencial para o plano da empresa de tornar a Starship totalmente reutilizável. Nada disso está garantido: testes orbitais inéditos costumam esbarrar em imprevistos, e a própria SpaceX trata voos como esse como experimentos, não como demonstrações de produto pronto. Se a missão for bem-sucedida, ela destrava a etapa seguinte do programa: voos com reabastecimento em órbita, pré-requisito para as viagens à Lua e a Marte que a empresa promete para o fim da década.