
SpaceX deixa cratera na Lua, ULA troca de CEO e Taiwan tropeça em teste
Estágio superior de um Falcon 9 abandonado em órbita colidiu com a Lua e abriu cratera de 18 metros; ULA promove executivo interno após saída abrupta de Tory Bruno; teste de foguete taiwanês termina em autodestruição.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Um objeto do tamanho de um ônibus, viajando a quase 8.700 km/h — mais de sete vezes a velocidade de um avião comercial em cruzeiro —, bateu na Lua e abriu uma cratera do tamanho de uma quadra de basquete. É confirmado: a Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), da NASA, fotografou entre 11 e 12 de agosto a marca deixada pelo estágio superior de um foguete Falcon 9, da SpaceX, perto da cratera Einstein, na face oculta do satélite natural da Terra.
O que já está confirmado sobre o impacto
O estágio, de cerca de 3.900 kg, foi lançado em janeiro de 2025 para levar duas sondas lunares — a Blue Ghost 1, da Firefly Aerospace, e a Hakuto-R Mission 2, da japonesa ispace. Depois de cumprir sua função, ficou à deriva em órbita que cruzava a Lua e, sem controle ativo, acabou puxado pela gravidade até colidir com a superfície em 5 de agosto. Segundo a NASA, a cratera resultante tem cerca de 18 metros de largura e menos de 3 metros de profundidade — o terceiro impacto não intencional conhecido de um corpo de foguete na Lua. Não houve planejamento prévio para essa queda: foi consequência da mecânica orbital, não um teste deliberado.
ULA troca de comando após saída abrupta de Tory Bruno
No plano corporativo, a United Launch Alliance (ULA), joint venture de Boeing e Lockheed Martin e principal concorrente da SpaceX em contratos do governo americano, anunciou em 17 de agosto a promoção de Mark Peller a presidente e CEO, segundo a SpaceNews e o Space Coast Daily. Peller está na empresa desde a fundação, em 2006, e participou do desenvolvimento do foguete Vulcan. Ele assume no lugar de John Elbon, que ocupava o cargo interinamente desde dezembro, depois da saída repentina de Tory Bruno — CEO havia mais de uma década e responsável por conduzir a estreia do Vulcan em meio à perda de participação de mercado da ULA para a SpaceX.
Taiwan: revés, não fracasso definitivo
Já em Taiwan, o primeiro teste de voo de um foguete lançador de satélites totalmente desenvolvido no país terminou em autodestruição. De acordo com o Taipei Times e o South China Morning Post, o veículo do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Chung-Shan (NCSIST) saiu de rota logo no início do voo, na base de Jiupeng, e foi destruído em pleno ar pelo próprio sistema de segurança — o que, segundo as autoridades, funcionou como previsto e evitou vítimas ou danos materiais. O episódio, porém, gerou pânico entre moradores da região, que temeram se tratar de um míssil. É um contratempo no esforço de Taiwan por autonomia em lançamentos espaciais, não o fim do programa: novos testes ainda são esperados.