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Ciência26 de out. de 2026, 23:09

SpaceX diz "não, obrigado" a 3 lançamentos militares dos EUA

A empresa recusou três contratos da Força Espacial americana por falta de capacidade de lançamento, enquanto o foguete espanhol Miura 5 avança para o primeiro voo em 2027.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Quando a maior operadora de foguetes do mundo diz "não"

Para entender o tamanho da notícia, vale uma imagem de escala: a SpaceX respondeu por 85% de todos os lançamentos orbitais dos Estados Unidos em 2025. É essa mesma empresa, dominante ao ponto de quase não ter concorrência à altura, que acaba de recusar três contratos de lançamento oferecidos pela Força Espacial dos EUA (US Space Force) — e, segundo o Rocket Report do site Ars Technica, nenhuma outra empresa de foguetes se candidatou a assumir as missões recusadas.

O que está confirmado

De acordo com a reportagem, duas das três missões recusadas pertencem à constelação de comunicações e rastreamento de missis da Space Development Agency, braço do Pentágono dedicado a satélites militares de baixa órbita. Detalhes sobre a terceira missão e os prazos de lançamento não foram divulgados publicamente. O Ars Technica não especifica os valores dos contratos nem os motivos exatos citados pela SpaceX para a recusa.

O que é especulação

A interpretação mais consistente entre as fontes consultadas é que a SpaceX está represada por falta de capacidade de produção e de lançamento no curto prazo, não por algum rompimento político com o governo americano. A empresa vem recusando novos contratos de Falcon 9 e Falcon Heavy de clientes diversos — não apenas militares — ao mesmo tempo em que fechou mais 10 lançamentos para a constelação de internet via satélite da Amazon. Parte da leitura do setor é que a companhia está redirecionando recursos de engenharia para a Starship, o foguete que deve substituir gradualmente o Falcon 9, embora muitos satélites militares ainda não sejam compatíveis com o novo veículo.

O pano de fundo: mercado de lançamentos apertado

A recusa da SpaceX expõe um mercado de lançamentos orbitais com demanda maior que a oferta. Outras empresas emergentes também aparecem na reportagem buscando espaço nesse vácuo. No Canadá, a Reaction Dynamics, startup que desenvolve foguetes próprios, afirma ter sido fundada porque "o Canadá deveria conseguir alcançar órbita em seus próprios termos", buscando US$ 350 milhões para desenvolver os foguetes Aurora (debute orbital previsto para 2028) e Borealis (lançamento planejado para 2031).

O foguete espanhol quase pronto

Na Espanha, a fabricante PLD Space, startup espanhola de foguetes que mira o primeiro lançamento orbital do país, avança com o Miura 5: três veículos já foram construídos (dois de qualificação e um de voo), a segunda etapa está integrada e instalada verticalmente no centro de testes de Teruel, e sete motores completos já foram fabricados. A empresa projeta o primeiro voo de demonstração para a primeira metade de 2027, após etapas como ensaio a seco (wet dress rehearsal) e ignição estática.


Atualização (25/10, 18:51): Pela primeira vez, uma empresa privada recebe acesso ampliado ao catálogo mais detalhado de rastreamento espacial do Comando Espacial dos EUA. Em troca, o governo passa a usar sensores do sistema Stargaze, da própria SpaceX.

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