tech & talk
MercadoCiência30 de set. de 2026, 01:35

SpaceX estreia satélites Starlink V3 pelo Starship enquanto rival da Amazon patina

Cada novo satélite promete dez vezes mais capacidade de internet que a geração anterior, lançado pelo foguete Starship, enquanto o Amazon Leo, ex-Project Kuiper, segue travado por atrasos.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

Compartilhar

Dez vezes mais capacidade por satélite

A SpaceX lançou nesta segunda-feira (28/09) os primeiros satélites da geração Starlink V3 a bordo do foguete Starship, na 14ª missão de teste do veículo — a primeira vez que a nave alcança órbita. Foram 26 satélites V3 colocados em órbita, segundo a Satellite Today. Cada unidade da nova geração suporta 1.024 Gbps de banda, contra 96 Gbps da geração V2 atual — um salto de aproximadamente 10 vezes na capacidade por satélite, de acordo com dados divulgados pela própria SpaceX.

A missão não saiu perfeita: a Starship perdeu um dos motores pouco depois do lançamento e a viagem, que deveria durar cerca de 10 horas com seis órbitas ao redor da Terra, foi encerrada após 3 horas e 9 minutos, com a nave amerissando no Pacífico Norte. Ainda assim, a SpaceX considerou a missão um marco, já que é a primeira vez que a Starship entrega carga operacional de Starlink em órbita.

Foto: reprodução/satellitetoday.com

Por que o foguete importa tanto quanto o satélite

A capacidade de carga da Starship muda a conta: uma missão do Falcon 9 leva 27 satélites V2 e adiciona cerca de 2.600 Gbps de capacidade à rede por lançamento. Uma única missão da Starship, carregando 60 satélites V3, adiciona 61.000 Gbps — uma vantagem de aproximadamente 23 vezes por viagem ao espaço. É esse combo de satélite mais potente com foguete que carrega mais unidades de uma vez que a SpaceX aponta como o verdadeiro salto de capacidade da nova fase do Starlink.

Enquanto isso, o rival da Amazon não sai do lugar

Do outro lado da corrida por internet via satélite, o Amazon Leo — como a Amazon renomeou o antigo Project Kuiper — segue enfrentando atrasos de lançamento. A companhia depende parcialmente de foguetes Ariane 6, da europeia Arianespace, cujas próximas missões foram adiadas para o fim de 2026 após uma falha técnica em componentes do veículo; um lote de 36 satélites Leo previsto para outubro foi retirado do cronograma. A Amazon já havia pedido à agência reguladora americana FCC mais prazo para cumprir a meta de colocar metade de sua primeira constelação em órbita.

Quem ganha e quem perde

O resultado prático é uma corrida cada vez mais desequilibrada: enquanto a SpaceX aumenta a cadência e a capacidade de lançamento com veículo e satélite próprios, a Amazon depende de terceiros para colocar sua constelação em órbita — e esses terceiros estão atrasados. Para o usuário final, o efeito deve aparecer primeiro fora do Brasil, nos mercados onde o Amazon Leo já vende plano de internet por satélite como alternativa ao Starlink.

spacexstarlinksatélitesamazoninternet via satélite
Compartilhar