
SpaceX fecha com Qualcomm rede 5G da Starlink Mobile para 2027
SpaceX vai usar a plataforma Dragonwing da Qualcomm para construir dezenas de milhares de sites celulares terrestres nos EUA, com lançamento da rede nacional da Starlink Mobile previsto para 2027.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
A SpaceX fechou um acordo de múltiplos anos com a Qualcomm, fabricante americana de chips para celulares dona da tecnologia Snapdragon, para fornecer rádios e processamento de banda base para dezenas de milhares de sites celulares terrestres nos Estados Unidos. A implantação da rede nacional da Starlink Mobile, serviço de celular da Starlink — a divisão de internet por satélite da própria SpaceX —, está prevista para começar em 2027.
A parceria
O acordo usa a plataforma Dragonwing da Qualcomm, linha de infraestrutura celular da empresa, com dois componentes principais: as unidades de rádio QRU100 e as unidades de banda base QDU100, além de um software comercial de camada física (Layer 1) para processamento de sinais. A configuração usa tecnologia Massive MIMO em arranjo 64T64R — ou seja, 64 caminhos de transmissão e 64 de recepção por site —, pensada para aumentar a capacidade e a eficiência energética de cada estação.
Foto: reprodução/notebookcheck.net
Michael Nicolls, vice-presidente sênior da Starlink, resumiu o objetivo da parceria afirmando que "não deveríamos viver em uma época em que chamadas caem". Já Durga Malladi, vice-presidente executivo da Qualcomm, disse que "construir uma rede nacional exige alto desempenho e eficiência energética em cada site".
O plano da SpaceX é integrar essa rede terrestre à cobertura por satélite da Starlink em uma única rede combinada, unindo as estações-base que a própria SpaceX está projetando à tecnologia de rádio fornecida pela Qualcomm.
Quem ganha, quem perde
A movimentação reforça a disposição da SpaceX de se tornar uma espécie de quarta operadora móvel nacional nos EUA, concorrendo diretamente com AT&T, Verizon e T-Mobile. Relatos indicam que a empresa de Elon Musk também busca acesso a espectro e teria conversado sobre uma possível aquisição da Boost Mobile, além de ter adquirido direitos sobre espectro de 800 MHz junto à Grain Management, pendente de aprovação regulatória.
Para a Qualcomm, o contrato amplia sua presença no mercado de infraestrutura de telecom além dos chips para smartphones, com a empresa já sinalizando apoio à evolução da rede da Starlink Mobile rumo ao 5G Advanced e, no futuro, ao 6G.
Ainda não há data de conclusão nacional definida, nem termos financeiros ou preços ao consumidor divulgados. Analistas também apontam desafios: a conectividade indoor continua sendo um ponto fraco de serviços baseados em satélite, e restrições de espectro podem limitar o alcance da cobertura mesmo com a tecnologia Massive MIMO.
Atualização (05/11, 22:01): O CEO da Deutsche Telekom, Tim Höttges, comentou pela primeira vez em público sobre a Starlink Mobile durante a teleconferência de resultados da operadora. Segundo ele, a empresa "leva super a sério" o projeto de Elon Musk de transformar a Starlink Mobile em uma operadora móvel relevante nos Estados Unidos, mercado onde a Deutsche Telekom controla a T-Mobile US.
Höttges, porém, minimizou o risco imediato: segundo ele, a SpaceX adquiriu apenas 76 MHz de espectro, contra os 400 MHz detidos pela Deutsche Telekom, e precisaria investir algo como US$ 200 bilhões para montar uma rede capaz de competir de fato com as operadoras já estabelecidas — somando centenas de bilhões em espectro e mais US$ 20 bilhões a US$ 30 bilhões em torres. A frase que resumiu o tom da resposta foi "welcome to the party" ("bem-vindo à festa"), em referência ao custo de profissionalização que o setor de telecomunicações acumulou nas últimas duas décadas.
Atualização (06/11, 04:06): Qualcomm vai fornecer chips e software para dezenas de milhares de estações-base terrestres do Starlink Mobile nos EUA, com instalações a partir de 2027. Valores do contrato não foram revelados.