
SpaceX fecha US$ 40 bi em dívida pra comprar chips de IA da Nvidia
A SpaceX fechou US$ 40 bilhões em dívida, estruturados com grau de investimento, para comprar GPUs de IA da Nvidia com entrega prevista para 2027.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa
US$ 40 bilhões — cerca de R$ 216 bilhões na cotação atual. É o tamanho da operação de dívida que a SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk conhecida pelos foguetes Falcon e pela rede de satélites Starlink, fechou pra comprar GPUs de inteligência artificial da Nvidia, segundo o Olhar Digital e a Bloomberg.
Como o dinheiro foi levantado
A estrutura combina cerca de US$ 10 bilhões em empréstimos bancários e US$ 30 bilhões em bônus com classificação de grau de investimento (rating BBB) — nível que a SpaceX só conquistou depois do IPO de junho deste ano, que levantou US$ 86 bilhões. A colocação da dívida entre investidores é liderada pela gestora Apollo Global Management, com participação da PIMCO.
Pra que serve
O dinheiro vai especificamente pra comprar GPUs Nvidia dedicadas a cargas de IA, com entregas previstas pro primeiro e segundo trimestres de 2027. Em paralelo, a SpaceX também está construindo a Terafab, fábrica própria de chips em Austin, no Texas, com primeiro protótipo de teste esperado pra 2027 — sinal de que a empresa não quer depender só de fornecedor externo no médio prazo.
Foto: reprodução/techxplore.com
Quem paga a conta
Segundo Musk, o financiamento só foi possível graças às receitas da Starlink e dos lançamentos espaciais, que sustentam a capacidade de endividamento da empresa. Os números do terceiro trimestre ajudam a entender o tamanho da aposta: capex de US$ 19,6 bilhões (quase triplo em relação ao ano anterior) e receita de US$ 14,58 bilhões, alta de 161% na comparação anual.
Quem fica de olho
O mercado reagiu com cautela: os CDS de cinco anos da dívida da SpaceX, um termômetro de risco de crédito, subiram até 16,7 pontos-base, pra cerca de 197,6 pontos — recorde histórico pra empresa. É reflexo do apetite crescente por financiar a corrida por chips de IA, mesmo em empresas fora do núcleo das big techs, e do tipo de dívida "callable" (resgatável antecipadamente) que a própria SpaceX descreve.
O que falta responder
Ainda não está claro quanto desse volume vai efetivamente pra Nvidia versus outros fornecedores, nem o cronograma de pagamento da dívida. A fabricação própria de chips também é promessa, não produto: o primeiro protótipo da Terafab ainda não saiu do papel.
Atualização (26/10, 15:59): Atualização (26/10/2026): Um documento regulatório enviado nesta segunda-feira revelou novos detalhes sobre o negócio: a SpaceX travou um compromisso vinculante de cerca de US$ 40 bilhões em financiamento com uma entidade gerida pela Apollo Global Management, gigante de private equity sediada em Nova York. Diferente de um empréstimo tradicional, o acordo tem estrutura de leasing: a Apollo compra os chips Nvidia de próxima geração (Vera Rubin) e os servidores relacionados, e depois arrenda os equipamentos para a SpaceX por contratos de aproximadamente cinco a cinco anos e um quarto, com início à medida que cada lote de hardware for entregue.
Em comunicado, a SpaceX classificou o acordo como o "maior financiamento de GPU já comprometido" ("largest committed GPU financing"). A expectativa é que a transação seja fechada ainda neste ano, sujeita a condições finais, com os contratos de locação começando a valer no primeiro semestre de 2027, conforme os equipamentos forem chegando. O CFO da SpaceX, Bret Johnsen, afirmou que a empresa vem observando períodos de retorno inferiores a um ano nos investimentos em infraestrutura de IA, usada para expandir a capacidade de computação do Grok e dos serviços de nuvem da companhia.