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Mercado19 de out. de 2026, 10:54

SpaceX fecha US$ 8 bi em espectro e mira virar operadora de celular

Após pagar US$ 17 bi por espectro da EchoStar, SpaceX topou mais um acordo de banda baixa e derrubou as ações de AT&T, Verizon e T-Mobile. Analista da LightShed Partners avalia se a aposta bilionária de Elon Musk tem como dar certo.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 8 bilhões é o preço da nova rodada

A Grain Management buscava algo perto de US$ 6 bilhões ao colocar em leilão um pacote nacional de 14 MHz de espectro pareado na faixa de 800 MHz. A SpaceX topou pagar mais que isso — cerca de US$ 8 bilhões em dinheiro — e fechou negócio em 8 de outubro. Elon Musk chamou a aquisição de "a última peça crítica do quebra-cabeça de espectro" necessária para a Starlink oferecer cobertura completa de celular nos Estados Unidos. A transação ainda depende de aprovação da FCC, a agência reguladora de telecomunicações dos EUA.

Uma aposta que já soma mais de US$ 25 bilhões

Esse não é o primeiro cheque. A SpaceX já havia pago US$ 17 bilhões pelo espectro de banda média da EchoStar — operadora endividada que vendeu as licenças AWS-4 e H-block, negócio aprovado pela FCC em 2026. Somando as duas transações, a empresa de Elon Musk já reuniu um volume relevante de espectro de uso exclusivo em escala nacional, além de aprovação regulatória para lançar milhares de satélites Starlink de nova geração.

Quem perde: AT&T, T-Mobile e Verizon

O anúncio do acordo com a Grain Management fez o mercado reagir com pânico no pregão seguinte. As ações da T-Mobile, AT&T e Verizon — as três maiores operadoras de celular dos Estados Unidos — caíram, respectivamente, 13,27%, 9,81% e 8,75% em um único dia, os piores desempenhos diários de cada uma desde 2013, 2000 e 2002. Juntas, as três operadoras perderam perto de US$ 39 bilhões em valor de mercado — quase cinco vezes o que a SpaceX pagou pelo espectro. As ações da própria SpaceX chegaram a subir cerca de 1% no mesmo período.

O que diz o analista

No podcast Decoder, do site The Verge, Walter Piecyk, sócio e analista da LightShed Partners especializado em telecom, detalhou por que as operadoras tradicionais devem levar essa ameaça a sério — e como já erraram a mão na resposta. Segundo ele, as gigantes do setor trataram a conectividade via satélite como um serviço de nicho, útil apenas em emergências, enquanto a SpaceX acumulava silenciosamente um arsenal de espectro e aprovações regulatórias. O resultado, hoje, é uma concorrente com caixa, satélites e agora espectro de baixa frequência — o tipo de sinal que atravessa paredes e prédios, ponto fraco histórico da cobertura via satélite.

Por que isso importa

Se a SpaceX conseguir transformar o crescimento da Starlink Mobile em uma quarta operadora nacional de peso, o duopólio histórico do setor de telecom americano — dominado por três gigantes — ganha um concorrente com bolso mais profundo que qualquer rival dos últimos vinte anos. A conta, por ora, é alta: mais de US$ 25 bilhões em espectro, sem contar o custo dos satélites. Mas, para Wall Street, o risco já é real o bastante para derrubar bilhões em valor de mercado das operadoras tradicionais em um único dia.

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