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Ciência29 de out. de 2026, 15:40

SpaceX não precisa mais da NASA, e isso é um problema para a agência

Análise aponta que a relação de dependência entre NASA e SpaceX se inverteu: a receita da agência representa só uma fração pequena do faturamento da empresa de Elon Musk, enquanto a NASA depende do Crew Dragon para levar astronautas à ISS.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: quem precisa de quem

Imagine duas empresas que cresceram juntas por quase vinte anos, uma funcionando como financiadora e cliente da outra, até que os papéis se invertem. É esse o retrato que uma análise da Ars Technica faz da relação entre NASA e SpaceX. O fato confirmado: a agência ajudou a manter a SpaceX de pé nos primeiros anos, quando a empresa enfrentava dificuldade até para pagar a folha, e passou duas décadas tornando a companhia de Elon Musk indispensável para o programa espacial dos EUA.

O que os números mostram

A virada está nas contas. Segundo o próprio Musk, a NASA deve representar apenas cerca de 5% da receita da SpaceX em 2026. O motivo é a ascensão da Starlink, que respondeu por 61% do faturamento da empresa em 2025 e chegou a 69% no primeiro trimestre de 2026, com receita total projetada entre 22 e 24 bilhões de dólares no ano. A Starlink foi a única divisão lucrativa da empresa no último ano, com lucro de 4,42 bilhões de dólares, enquanto a unidade de lançamentos registrou perda de 657 milhões.

Do outro lado, é a NASA que não tem alternativa à altura: o Crew Dragon é hoje o único sistema confiável para levar astronautas à Estação Espacial Internacional, depois do fracasso do Starliner da Boeing. Em setembro, a agência ampliou o contrato de tripulação com a SpaceX em 946 milhões de dólares, elevando o valor total do contrato para 5,92 bilhões.

O que é confirmado e o que é hipótese

Aqui entra a leitura interpretativa da Ars Technica: a SpaceX já teria sinalizado à NASA a intenção de parar de operar o Crew Dragon até 2030 ou antes, repassando a função ao megafoguete Starship. Se isso se confirmar, a NASA terá poucos anos para decidir o que substitui o Crew Dragon — e hoje não há um plano B maduro. É um raciocínio plausível diante dos números, mas que ainda depende de como as duas partes vão negociar os próximos contratos.

Por que isso importa

A NASA financiou a SpaceX justamente para quebrar o monopólio da United Launch Alliance no mercado de lançamentos. Duas décadas depois, a agência corre o risco de trocar uma dependência por outra, e já aposta parte de seus recursos em programas com a Blue Origin para diversificar fornecedores.

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