SpaceX negocia acesso a 80 mil torres para virar 4ª operadora dos EUA
A empresa de Elon Musk conversa com donos de infraestrutura de celular, incluindo a Crown Castle, para expandir o Starlink Mobile e disputar diretamente Verizon, AT&T e T-Mobile.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que assusta as operadoras
Oitenta mil torres de celular. É esse o alvo que a SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk, estabeleceu para montar uma rede própria de telefonia nos Estados Unidos, segundo reportagem da Bloomberg publicada em 22 de outubro. O número não é pequeno: representa cerca de metade das 158,5 mil estações-base em operação no país no ano passado. Para chegar lá, a SpaceX está em conversas com empresas que controlam essa infraestrutura, entre elas a Crown Castle Inc., uma das maiores proprietárias de torres de celular dos Estados Unidos, além de American Tower e Vertical Bridge.
Da internet por satélite à rede de celular completa
O movimento não surge isolado. Ele é a peça que faltava para o plano da SpaceX de transformar o Starlink Mobile — serviço que já permite a celulares comuns se conectarem direto à constelação de satélites, sem antena especial — em uma operadora de telefonia de peso. Em 8 de outubro, a empresa fechou a compra de um pacote de até 14 MHz de espectro pareado na faixa de 800 MHz, frequência baixa que penetra melhor em paredes e cobre áreas mais extensas. O negócio deve ser concluído no primeiro semestre de 2027, dependendo de aprovação regulatória. Some-se a isso a autorização já obtida da FCC (órgão regulador de telecomunicações dos EUA) para lançar 15 mil satélites de nova geração dedicados ao serviço direto-ao-celular.
Quem sai perdendo com a jogada
As conversas com os donos de torres ainda estão em estágio de negociação, sem contrato fechado, mas o mercado já reagiu. Ações da Crown Castle e de outras REITs do setor de infraestrutura de torres subiram na bolsa americana depois do relato da Bloomberg, enquanto papéis de AT&T, T-Mobile e Verizon recuaram no mesmo pregão. O recado é claro: se a SpaceX conseguir fechar os acordos de locação — que, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, podem valer bilhões de dólares — ela deixa de ser parceira de cobertura de emergência das operadoras tradicionais e passa a disputar diretamente a base de clientes delas. O CEO da Crown Castle já classificou a aquisição de espectro pela SpaceX como um "marco histórico" para o setor. Resta saber se as gigantes de telecomunicações vão reagir com contrapropostas ou observar, da arquibancada, a quarta operadora do país ganhar forma a partir do espaço.