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Mercado03 de nov. de 2026, 09:37

SpaceX negocia comprar a Boost Mobile para atacar as grandes operadoras dos EUA

A empresa de Elon Musk quer transformar a prestadora pré-paga da EchoStar em porta de entrada terrestre para a rede Starlink, depois de ser rejeitada por AT&T, T-Mobile e Verizon.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 17 bilhões já investidos abrem caminho para nova rodada de negociação

Sete milhões e meio de clientes: é esse o tamanho da base que a SpaceX quer colocar nas mãos de Elon Musk para furar o domínio das grandes operadoras de telecomunicações nos Estados Unidos. Segundo informações do TechCrunch e do The Verge, a empresa está negociando a compra da Boost Mobile, operadora de celular pré-pago controlada pela EchoStar, companhia de satélites e espectro que já é parceira comercial da SpaceX.

A movimentação não é isolada. Musk conversou diretamente em outubro com Charlie Ergen, presidente do conselho da EchoStar, sobre a aquisição da Boost Mobile e da GenMobile, as duas marcas pré-pagas que somam a base de assinantes da companhia. O pano de fundo é o acordo fechado em 2025, quando a SpaceX pagou US$ 17 bilhões por licenças de espectro wireless da EchoStar — montante que, segundo o próprio Musk, era "a última peça crítica do quebra-cabeça de espectro necessário para a SpaceX oferecer cobertura telefônica completa nos Estados Unidos".

Foto: reprodução/deadline.com

Quem ganha e quem perde

Antes de bater à porta da EchoStar, a SpaceX já havia procurado AT&T, T-Mobile e Verizon — as três gigantes que concentram mais de 100 milhões de assinantes cada uma nos EUA — propondo parcerias ou acesso à infraestrutura. Todas recusaram. Comprar a Boost Mobile é o plano alternativo: em vez de depender da boa vontade dos rivais, a SpaceX adquire uma operadora que já tem licença, marca e clientes, e usa a Starlink como camada complementar de cobertura onde a rede terrestre não chega.

Há, porém, um obstáculo prático: a Boost Mobile não opera torres próprias. Ela aluga capacidade de rede da própria AT&T e da T-Mobile — exatamente as empresas que rejeitaram a SpaceX e que, em tese, precisariam aprovar a transferência desses contratos para um novo controlador.

Se o negócio avançar, o resultado prático é uma rede híbrida satélite-celular, que daria à SpaceX um caminho direto ao consumidor final sem depender de acordos de roaming com concorrentes. Para a EchoStar, a venda destravaria caixa após anos de dificuldades no negócio de telecom pré-pago. Para AT&T, T-Mobile e Verizon, a entrada de um quarto player apoiado por satélites e bilhões em capital muda o tabuleiro competitivo que elas mesmas ajudaram a fechar ao recusar a SpaceX.

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