
SpaceX pede que outras operadoras compartilhem dados orbitais com a Starlink
Após quase-colisões que chegaram a dezenas de metros de distância, a SpaceX afirma que metade dos satélites manobráveis que cruzaram o caminho da Starlink não compartilha sua trajetória prevista com a empresa.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Pra escala humana: imagine dois carros se cruzando a toda velocidade em uma avenida, mas separados por uma distância menor que a de um campo de futebol — e, em pelo menos um caso, por pouco mais que o comprimento de uma piscina olímpica. É essa a margem que a SpaceX diz ter enfrentado em alguns dos quase-encontros recentes entre satélites Starlink e outros objetos em órbita.
O que foi confirmado
Michael Nicolls, executivo da Starlink responsável por engenharia, afirmou em apresentação no dia 6 de outubro, durante o Congresso Internacional de Astronáutica (IAC), em Antália, na Turquia, que satélites da constelação tiveram aproximações perigosas com outras espaçonaves em 2026. Segundo ele, cerca de 650 satélites manobráveis de outras operadoras geraram situações de risco de colisão no período, e apenas a metade deles compartilhava dados de trajetória com a SpaceX.
"Ou eles não estavam publicando sua efeméride para nós, ou não estavam considerando a efeméride de outros ao manobrar, e isso levou a conjunções de dezenas de metros a centenas de metros. Muito perto para ficar confortável", disse Nicolls, segundo registros da apresentação citados por veículos especializados.
A efeméride é o conjunto de dados que descreve a posição e a velocidade prevista de um satélite ao longo do tempo — informação essencial para calcular o risco de colisão e decidir manobras de desvio. A SpaceX afirma registrar cerca de 164 mil eventos de possível colisão nos últimos seis meses e executar aproximadamente 1.000 manobras de desvio por dia em toda a frota Starlink.
O que é hipótese ou proposta
A SpaceX não citou publicamente quais operadoras específicas estariam deixando de compartilhar dados nos episódios mais críticos. A empresa também não detalhou se as quase-colisões de dezenas de metros envolveram satélites comerciais, científicos ou de outras constelações de internet. O que a companhia propõe, de forma concreta, é que todos os operadores passem a publicar e consultar efemérides de forma consistente através da sua plataforma gratuita de compartilhamento, a spacesafety.com, que oferece triagem de conjunções e troca de dados de trajetória.
O contexto
A Starlink já soma milhares de satélites ativos e domina o tráfego de manobras de desvio em órbita baixa, o que torna a cooperação de terceiros decisiva para reduzir o número de aproximações arriscadas. Agências como a NASA já mantêm acordos de troca de dados orbitais com a SpaceX desde 2021, mas o apelo feito no IAC sugere que a adesão de operadoras comerciais menores ainda é parcial.