
SpaceX quer construir fábricas na Lua para produzir satélites de IA
Elon Musk revelou plano da SpaceX de erguer fábricas robóticas na Lua para fabricar até 1 milhão de satélites de IA da constelação Starmind, usando regolito lunar e um lançador eletromagnético para dispensar foguetes.
Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana
Musk anuncia plano lunar durante primeira teleconferência pública
A SpaceX revelou planos para construir fábricas na Lua dedicadas à produção de satélites de inteligência artificial. O anúncio foi feito por Elon Musk em 4 de agosto de 2026, durante a primeira teleconferência trimestral de resultados da empresa desde que se tornou uma companhia de capital aberto. O tema já havia sido mencionado por Musk em fevereiro, no contexto da aquisição da xAI pela SpaceX.
Segundo o executivo, a meta é operar uma constelação de até 1 milhão de satélites Starmind — voltados a computação de IA em órbita — e, para viabilizar essa escala, fabricar boa parte dos equipamentos diretamente no solo lunar. "We are going to land a lot of tonnage on the moon. We're going to build the factories on the moon. The robots will be helpful with that", disse Musk, admitindo em seguida: "I know this sounds totally nuts."
Foto: reprodução/olhardigital.com.br
Regolito lunar, robôs e lançador sem foguete
O plano prevê minerar o regolito — a camada de poeira e detritos que cobre a superfície da Lua — para extrair alumínio, titânio e silício, matérias-primas para a estrutura dos satélites, painéis solares e radiadores. Chips e outros componentes mais sensíveis continuariam sendo enviados da Terra.
A fabricação ficaria a cargo de robôs, possivelmente incluindo humanoides Optimus, da Tesla, operando com energia solar e reforço nuclear para suportar as noites lunares de 14 dias. Para lançar os equipamentos prontos rumo à órbita terrestre, a SpaceX pretende usar um "mass driver" — um lançador eletromagnético capaz de arremessar cargas sem o uso de foguetes, aproveitando que enviar material a partir da Lua exige cerca de 20 vezes menos energia do que a partir da Terra.
Foto: reprodução/space.com
Papel da Starship e desafios técnicos
A nave Starship é peça central da logística do projeto, responsável por transportar robôs e cargas até a Lua. A SpaceX afirma que a espaçonave deve quadruplicar a capacidade de carga e reduzir em dez vezes o custo de lançamento em comparação com o foguete Falcon 9. Entre os obstáculos citados estão a poeira lunar abrasiva, variações de temperatura que vão de -300°F a níveis acima do ponto de ebulição da água, e efeitos eletrostáticos na superfície.
Resultados financeiros dando lastro ao plano
O anúncio veio junto com o primeiro balanço trimestral da SpaceX como empresa pública. No segundo trimestre de 2026, a receita somou US$ 7,8 bilhões, alta de 92% em relação ao ano anterior, com prejuízo de US$ 541 milhões — bem menor que o US$ 1 bilhão negativo do mesmo período de 2025. O segmento espacial teve receita de US$ 962 milhões, com perda de EBITDA de US$ 205 milhões atribuída ao desenvolvimento da Starship. A empresa também planeja ampliar a produção dos motores Raptor, adicionar plataformas de lançamento em Starbase, no Texas, e ativar os complexos 39A e 37 no Kennedy Space Center, na Flórida.