
SpaceX tentará capturar Starship e seu propulsor em pleno voo, pela 1ª vez
Na próxima missão de teste, a SpaceX vai tentar recuperar simultaneamente a nave Starship e o propulsor Super Heavy usando os braços da torre de lançamento. Elon Musk prevê a tentativa para novembro e chama o feito, se bem-sucedido, de inédito para um veículo orbital.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: dois gigantes de 120 metros voltando ao mesmo ponto
Imagine duas peças de quase 120 metros de altura somadas — o propulsor Super Heavy e a nave Starship — descendo do espaço e sendo pinçadas no ar por braços mecânicos fixados numa torre, nos segundos finais de queda livre. É esse o plano da SpaceX para o próximo voo de teste do sistema Starship, batizado de Flight 15: capturar as duas partes em pleno voo, na mesma missão, pela primeira vez.
Confirmado: o que já foi dito oficialmente
Em chamada de resultados do terceiro trimestre, Elon Musk confirmou que a tentativa está prevista para o mês de novembro. "Para o Flight 15, que esperamos que aconteça no mês que vem, vamos tentar capturar tanto o propulsor quanto a nave", disse o executivo. Segundo ele, se a operação funcionar, "será a primeira vez que um veículo de lançamento orbital foi totalmente recuperado" — ou seja, nenhuma parte do foguete seria descartada ou perdida no oceano, como ocorre hoje.
A torre de lançamento já havia capturado boosters Super Heavy em voos anteriores usando os braços mecânicos, apelidados de "chopsticks", mas a cápsula superior, a Starship propriamente dita, nunca havia sido alvo dessa manobra.
Hipótese: a estimativa de sucesso
Musk evitou cravar certeza. Em declarações públicas recentes, ele estimou as chances de sucesso na primeira tentativa de captura da nave em "pelo menos 50% a 60%", e repetiu a cautela na chamada de resultados: "não há garantia de sucesso nesses primeiros voos, mas eu diria que é mais provável que não que isso funcione no próximo voo". Caso a tentativa falhe, a empresa disse manter um "fluxo constante" de novos voos de teste até o fim do ano, com ritmo acelerado em 2027.
Por que importa
O voo anterior, o 14º teste do programa, realizado em 28 de setembro, foi o primeiro a atingir órbita e implantar 26 satélites Starlink de nova geração — mas sem recuperar nenhuma das duas partes, que caíram no Golfo do México e no Oceano Pacífico. Recuperar as duas peças de uma só vez eliminaria essa perda por missão, um passo citado por especialistas do setor como decisivo para viabilizar lançamentos mais frequentes e com maior capacidade de carga ao espaço.
Atualização (21/10, 18:50): A SpaceX afirmou ter um "engajamento construtivo significativo" com a FAA (Administração Federal de Aviação dos EUA), segundo declaração da presidente e diretora de operações da empresa, Gwynne Shotwell. A executiva disse esperar que a licença para o Flight 15 — voo em que a SpaceX tentará capturar simultaneamente o booster e a Starship na torre de lançamento — já contemple o retorno da nave ao local de decolagem e a captura das duas etapas pela torre.
A aproximação com o órgão regulador é vista como passo necessário para um objetivo mais ambicioso anunciado pela empresa: elevar a cadência de lançamentos do Starship para um ritmo semanal já no primeiro semestre de 2027, com a meta de chegar a dois lançamentos por semana na segunda metade do ano. Segundo Elon Musk, CEO da SpaceX, o plano depende de avanços como a reutilização de foguetes sem necessidade de reforma entre voos — um salto expressivo em relação ao ritmo atual de lançamentos da Starship.
Um dos principais obstáculos regulatórios apontados é a necessidade de as etapas do foguete retornarem ao ponto de lançamento sobrevoando áreas povoadas, incluindo o norte do México, o que exige aprovações adicionais da FAA. A SpaceX sinaliza que o diálogo mais fluido com a agência é parte do que viabilizaria essa aceleração do cronograma.