
SpaceX testa os 33 motores da Starship antes de voo orbital histórico
A SpaceX acionou simultaneamente os 33 motores Raptor do booster Super Heavy em Starbase, Texas, em teste estático que antecede o Voo 14 da Starship, primeira tentativa de missão orbital do megafoguete.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Imagine 33 motores de foguete, cada um capaz de gerar mais empuxo que um avião comercial inteiro, disparando ao mesmo tempo, presos à base de uma estrutura de dezenas de metros de altura, sem a coisa toda sair do chão. Foi isso que a SpaceX fez na sexta-feira (28/8), em Starbase, no sul do Texas: um "static fire" de duração completa com todos os 33 motores Raptor do booster Super Heavy acesos ao mesmo tempo, presos à torre de lançamento.
O que é confirmado
Segundo a SpaceX e a cobertura da Olhar Digital, o teste usou o Booster 21, propulsor de primeiro estágio destinado ao Voo 14 da Starship. A empresa descreveu o teste como "disparo estático de duração completa com os 33 motores do booster Super Heavy, em preparação para o Voo 14". O Booster 21 havia sido transportado do local de produção até a rampa de lançamento em 25 de agosto, dias antes do teste.
A Starship é o maior e mais poderoso foguete já construído, formada pelo booster Super Heavy (primeiro estágio, com os 33 motores) e pela nave Ship, de 52 metros de altura, que compõe o segundo estágio. Os dois estágios foram projetados para serem totalmente reutilizáveis.
O Voo 13, realizado em 24 de julho, já havia transportado 20 satélites Starlink V3, mas em trajetória suborbital: os satélites reentraram na atmosfera e foram destruídos, como planejado, sem chegar a operar em órbita. Destroços de uma Starship de teste anterior também foram recuperados no oceano depois de semanas à deriva e seguem viagem de cerca de 17 mil km a bordo do navio semissubmersível Forte rumo à base da SpaceX, para análise do escudo térmico, motores e componentes expostos a condições extremas.
O que ainda é expectativa
O Voo 14 é aguardado para setembro, com data ainda variável conforme fontes do setor espacial — estimativas apontam para meados a final do mês. Ele deve marcar a primeira tentativa da Starship de colocar satélites Starlink V3 efetivamente em órbita operacional, e não apenas em trajetória suborbital como no voo anterior. Também está prevista a primeira tentativa de "pegar" a nave Ship de volta na torre de lançamento em Starbase, repetindo a manobra já usada com o booster em voos anteriores — mas dessa vez com o estágio superior.
Nada disso está garantido: tanto a órbita bem-sucedida quanto a captura da Ship dependem do desempenho do foguete no dia do lançamento, e a SpaceX historicamente trata cada voo de teste como um evento de risco elevado.
Por que importa
Se o Voo 14 confirmar a entrega operacional de satélites Starlink V3, será um marco para o programa Starship, que a SpaceX pretende usar tanto para expandir a constelação Starlink quanto, no longo prazo, para missões tripuladas mais ambiciosas, incluindo os planos anunciados para a Lua e Marte.