
SpaceXAI doa US$ 1,5 milhão em créditos do Grok para distribuição Linux de DHH
A SpaceXAI, entidade formada pela fusão da SpaceX com a xAI de Elon Musk, entra como "Founding Corporate Patron" da fundação que mantém o Omarchy, distribuição Linux criada por David Heinemeier Hansson, com US$ 1,5 milhão em tokens do Grok.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 1,5 milhão é o número que importa
A SpaceXAI — entidade resultante da fusão all-stock entre SpaceX e xAI, as empresas de foguetes e inteligência artificial de Elon Musk, avaliada em US$ 1,25 trilhão — anunciou no dia 8 de outubro a doação de US$ 1,5 milhão em tokens do Grok, o chatbot de IA da companhia, para a Omacom Foundation. A fundação mantém o Omarchy, distribuição Linux baseada em Arch criada por David Heinemeier Hansson, o DHH, cofundador da empresa de software 37signals e criador do framework de programação Ruby on Rails. Em vez de dinheiro em espécie, o aporte vem em créditos de uso do Grok — ou seja, poder de computação, não caixa.
Quem ganha com o múltiplo da fundação
Com a doação da SpaceXAI, o total de apoio arrecadado pela Omacom Foundation sobe para aproximadamente US$ 23,2 milhões, segundo comunicado oficial da própria fundação. O valor inclui os US$ 8 milhões levantados no lançamento, em agosto de 2026, e contribuições de outros nomes de peso: Meta Superintelligence Labs, a divisão de IA avançada da Meta; a DigitalOcean, provedora de serviços de nuvem, com US$ 3 milhões; e a Alibaba Cloud, braço de computação em nuvem do grupo chinês Alibaba, também com US$ 3 milhões. A OpenAI entra como "Distinguished Corporate Patron", categoria distinta da de "Founding Corporate Patron" ocupada agora pela SpaceXAI.
DHH anunciou a parceria no X (antigo Twitter): "a SpaceXAI está se juntando à Omacom Foundation como Founding Corporate Patron, doando US$ 1,5 milhão em tokens do Grok! [...] Talvez em breve eles sejam transmitidos direto da órbita?"
Quem perde — ou ao menos levanta sobrancelha
O Omarchy já nasceu como projeto polêmico. DHH é figura combativa no mercado de tecnologia: em 2022, enfrentou críticas internas na 37signals após dissolver um comitê de diversidade e inclusão e proibir discussões de funcionários sobre temas sociais na empresa, episódio que gerou debate público sobre cultura corporativa no setor. O sistema se descreve como "o SO maleável para a era dos agentes", já vindo com ferramentas de codificação por IA pré-instaladas — um nicho que mistura comunidade de desenvolvedores Linux com o hype atual de agentes autônomos.
Para o mercado, o episódio mostra como as grandes empresas de IA estão usando créditos de computação, e não só dinheiro, como moeda de influência em comunidades de software livre — um modelo que barateia o patrocínio para quem doa, mas também amarra projetos independentes à infraestrutura de poucos provedores.