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MercadoGadgets06 de nov. de 2026, 07:46

Spinoff da Rivian quer reinventar a e-bike, mas antes precisa entregá-la

A Also, braço de micromobilidade elétrica separado da Rivian em 2025, avança na produção de suas e-bikes após atrasos causados por escassez de componentes. O presidente Chris Yu, ex-CTO da Specialized, admite que a demanda por hardware de servidores de IA disputou com a empresa os mesmos fornecedores de chips.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Uma spinoff de US$ 1 bilhão que ainda luta para entregar bicicletas

A Also, startup de micromobilidade elétrica derivada da Rivian, fabricante americana de veículos elétricos, já vale US$ 1 bilhão no papel, mas o que realmente importa agora é um número mais simples: quantas e-bikes consegue tirar da linha de produção e colocar na porta dos clientes. Depois de atrasos no cronograma inicial previsto para a primavera americana, a empresa diz estar finalmente acelerando as entregas da sua Launch Edition e se preparando para lançar as versões Standard e Performance do modelo TM-B.

Quem toca essa frente é Chris Yu, presidente e cofundador da Also, PhD em aeronáutica pela Stanford e ex-CTO da Specialized, tradicional marca americana de bicicletas, onde passou cerca de dez anos antes de se juntar à órbita da Rivian em 2022. Em entrevista à publicação americana The Verge, Yu reconheceu que a meta de lançamento na primavera fazia sentido com as informações disponíveis na época, mas que a empresa não previu a urgência da demanda por hardware de servidores de inteligência artificial — e o quanto essa corrida disputaria, com os veículos elétricos leves, as mesmas cadeias de suprimento de chips, memória e placas de circuito.

Foto: reprodução/techcrunch.com

Por que isso importa para o mercado de micromobilidade

A Also nasceu oficialmente em março de 2025, quando a Rivian cindiu sua divisão de micromobilidade em uma empresa independente, com a fabricante de VEs ficando como acionista minoritária. A rodada inicial trouxe US$ 105 milhões liderados pela Eclipse, e uma rodada Série C posterior, liderada pela Greenoaks e com participação estratégica da DoorDash, injetou outros US$ 200 milhões, elevando a startup ao status de unicórnio, com valuation de US$ 1 bilhão.

O movimento reflete uma aposta dupla: a Rivian concentra energia e capital no núcleo de veículos elétricos de maior porte, enquanto delega a aposta em micromobilidade — bicicletas e quadriciclos elétricos como o TM-B e o TM-Q — a uma empresa dedicada, mirando frotas de entrega como as da Amazon e da própria DoorDash, além de consumidores em centros urbanos densos.

Foto: reprodução/insideevs.com

Os obstáculos que atrasaram o plano

Segundo Yu, a Also desenhou seus veículos com engenharia vertical até o nível de componentes individuais e circuitos integrados, o que deixou a empresa exposta à escassez de peças críticas. Além da disputa por chips, houve problemas logísticos — incluindo questões com a transportadora FedEx, resolvidas após a troca de parceiro de entrega — e reclamações de clientes em fóruns como o Reddit sobre atrasos e falhas de software em algumas unidades já entregues.

O que vem a seguir

Com as versões Standard e Performance do TM-B em preparação e o TM-Q mirando o mercado de entregas comerciais, a Also tenta provar que o hype em torno do capital levantado se traduz em capacidade real de fabricação. Para a Rivian, o sucesso ou fracasso da aposta define se a estratégia de incubar negócios paralelos — fora do core de EVs — compensa o risco reputacional de ter seu nome associado a uma spinoff ainda em fase de ajuste de produção.


Atualização (03/11, 15:48): Atualização (03/11/2026): A Also, spinoff de micromobilidade da Rivian, também havia iniciado e depois abandonado um projeto de veículo elétrico de duas rodas no Quênia, segundo a TechCrunch. A iniciativa, lançada discretamente no primeiro semestre de 2026 com financiamento da Shell Foundation, entidade filantrópica independente ligada à petroleira Shell, pretendia viabilizar a entrada de montadoras globais no mercado elétrico africano com uma motocicleta elétrica feita sob medida para motoristas do continente, além de baterias modulares e infraestrutura de recarga distribuída.

O co-fundador e presidente da Also, Chris Yu, confirmou à TechCrunch que o projeto foi descontinuado porque a empresa decidiu concentrar os esforços no desenvolvimento de veículos autônomos. Segundo Yu, a decisão veio "largamente por causa da urgência e do ritmo em torno da autonomia", que exigiu que a atenção da companhia ficasse, no curto prazo, totalmente voltada a essa frente. A Also afirmou que o financiamento da Shell Foundation "seguirá o projeto" para apoiar sua continuidade sob outra forma, mas não detalhou como, citando um acordo de confidencialidade.

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