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Mercado26 de out. de 2026, 22:45

Spotify exige 2 mil horas de audiência para pagar podcasters no Brasil

O Programa de Parceiros do Spotify chegou ao Brasil e passa a remunerar criadores por anúncios e consumo de vídeo no Premium, mas a adesão não é automática.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que define quem entra no jogo

2 mil horas de consumo em 30 dias. É essa a barreira mínima que o Spotify passou a exigir, a partir de 20 de outubro, de quem quer ser pago pelo Programa de Parceiros no Brasil. Some-se a isso pelo menos mil ouvintes ou espectadores únicos no mesmo período e três episódios publicados, e só então o criador pode enviar a candidatura — que passa por análise manual da plataforma, não é aprovação automática.

Como cai o dinheiro

Foto: reprodução/exame.com

A gestão de tudo passa pelo Spotify for Creators, o painel que centraliza métricas e pagamentos. Dali, o criador pode somar três fontes de receita: a fatia de anúncios dinâmicos tocados nos episódios (o Spotify fica com a outra metade da receita publicitária), o pagamento por tempo de consumo de vídeo entre assinantes Premium, e 100% do valor de patrocínios negociados direto com marcas via host-read ads — sem taxa de transação cobrada pela plataforma nessa última modalidade.

Para manter o cadastro ativo, é preciso publicar ao menos um episódio periodicamente e acumular um mínimo de US$ 10 em ganhos a cada seis meses — quem não bate essa régua pode ser removido do programa.

Quem ganha e quem fica de fora

Foto: reprodução/otempo.com.br

Na prática, o corte de audiência separa dois grupos: produções de nicho que já têm audiência cativa e recorrente — essas se qualificam com folga — e canais iniciantes ou irregulares, que dificilmente somam 2 mil horas mensais sem antes crescer por conta própria. Isso empurra o incentivo para quem já monetiza por outros meios (YouTube, publicidade direta) a migrar o conteúdo de vídeo para o Spotify, já que a plataforma paga pelo tempo assistido por assinantes Premium — algo que concorrentes de áudio puro não oferecem.

O modelo também premia quem investe em vídeo: criadores que publicam só em áudio ficam restritos à fatia de anúncios dinâmicos, enquanto quem sobe o episódio completo em vídeo abre uma segunda linha de receita.

O que ainda falta responder

O Spotify não detalhou publicamente qual a faixa de pagamento por hora assistida nem como define "mercado elegível" além do critério de endereço legal do criador. Também não ficou claro se as regras de audiência serão revistas com o tempo — e se o piso de 2 mil horas pode subir conforme mais criadores brasileiros aderirem ao programa.

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