
Spotify lança assinatura paga de podcast e deixa 90% da receita com criador
O Spotify estreou as assinaturas pagas para podcasts em 34 mercados, repassando 90% da receita aos criadores em troca de benefícios exclusivos oferecidos aos fãs mais engajados.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
90%. É esse o porcentual da receita que o Spotify promete repassar aos podcasters na nova camada de assinaturas pagas lançada nesta terça-feira em 34 mercados — Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e boa parte da Europa incluídos. O movimento mira direto na fatia de mercado hoje dominada por plataformas como o Patreon.
Como funciona
A partir de agora, criadores que hospedam seus programas no Spotify for Creators ou no Megaphone podem oferecer assinaturas pagas aos ouvintes, desde que atendam a três critérios mínimos: 100 horas de consumo acumulado, 100 ouvintes ou espectadores e ao menos três episódios publicados. Os benefícios vão além do áudio bônus tradicional — incluem vídeo exclusivo, redução ou eliminação de anúncios, acesso antecipado a episódios e, em breve, insígnias de membro e clipes de boas-vindas personalizados.
Os criadores podem organizar tudo em múltiplos níveis de preço, replicando o modelo de camadas que o Patreon popularizou. A compra, no entanto, é feita pela web — não dentro do app —, o que evita a taxa que Apple e Google cobram em compras via loja de aplicativos.
Quem já está testando
Entre os primeiros programas a adotar o recurso estão o The Adam Friedland Show, o Making Sense with Sam Harris, o Shawn Ryan Show, The Sculpt Society, Two Hot Takes e os 12 podcasts da rede YMH Studios — uma mistura de nomes grandes do podcasting americano que serve de vitrine para o Spotify provar o modelo antes de expandir.
Quem ganha e quem perde
Para os criadores de podcast, a conta é favorável: 90% de repasse é patamar competitivo frente ao Patreon, que historicamente retém uma fatia maior da receita bruta em taxas. Isso dá ao Spotify munição para tentar atrair criadores que hoje monetizam fora da plataforma.
Já para concorrentes como Patreon e Substack, o recado é direto: o Spotify quer internalizar toda a cadeia de monetização de podcast — audiência, publicidade e agora assinatura direta — num só lugar. A fatia que escapava da plataforma começa a ficar mais cara de disputar.
Atualização (20/10, 15:54): Atualização: O Spotify revelou o nome oficial da nova assinatura paga de podcasts: Memberships. O recurso, lançado nesta terça-feira (20), permite que criadores cobrem de fãs por conteúdos e benefícios exclusivos, como episódios bônus, acesso antecipado e experiência sem anúncios, repassando 90% da receita das assinaturas ao criador. O Memberships está disponível tanto para ouvintes do plano gratuito (Free) quanto para assinantes Premium.
O lançamento começou a chegar a 34 mercados, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Canadá, Austrália e Portugal, entre outros países da Europa e Oceania. O Brasil, porém, ficou de fora dessa primeira leva — assim como o restante da América Latina —, sem data definida para a chegada do recurso à região. Para participar do programa, o podcast precisa estar hospedado no Spotify for Creators ou na Megaphone, ter ao menos três episódios publicados, 100 ouvintes e 100 horas de consumo nos últimos 30 dias.