
Spotify pode liberar Jams para o plano gratuito, indica versão 9.1.82.19
Strings de código encontradas pelo Android Authority no app para Android sugerem que o Spotify testa deixar usuários do plano gratuito hospedarem sessões de Jam, hoje restritas a assinantes Premium.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa: 9.1.82.19
É na versão 9.1.82.19 do aplicativo Spotify para Android que o site Android Authority encontrou as pistas: strings de código removidas e alteradas indicam que a empresa testa permitir que usuários do plano gratuito hospedem Jams, recurso de escuta colaborativa hoje exclusivo de assinantes Premium. O texto "Assinar o Premium para começar seu próprio Jam e tocar qualquer música, a qualquer momento" foi retirado do código, dando lugar a uma referência a "controle total sobre o que toca a seguir" — sinal de que a régua de acesso ao recurso pode estar mudando.
O que é o Jam e o que seria diferente
Lançado em setembro de 2023, o Jam permite reunir até 32 pessoas em uma playlist tocada simultaneamente nos dispositivos de todos os participantes. Atualmente, qualquer usuário pode entrar em uma sala como convidado, mas só quem tem Premium pode criar e hospedar a sessão. Pelas strings encontradas, se a função chegar ao público, Jams hospedados por contas gratuitas viriam com restrições: impossibilidade de pular músicas, proibição de adicionar faixas à fila, impossibilidade de alterar a ordem de reprodução e reprodução obrigatória em modo aleatório. O ponto que chama atenção é que essas limitações valeriam para todos os participantes da sala, inclusive os que pagam Premium — a hierarquia de restrição seria definida por quem hospeda, não por quem participa.
Ainda é indício, não confirmação
O próprio Android Authority pondera que mudanças de código não garantem que a funcionalidade chegará ao público. O Spotify não confirmou oficialmente a novidade, e o suporte oficial da plataforma ainda lista o Premium como pré-requisito para iniciar e hospedar um Jam. Ou seja: é um teste identificado em engenharia reversa do APK, não um anúncio da empresa.
A lógica por trás do teste
Ainda assim, o movimento faz sentido dentro da estratégia do Spotify de reter usuários do plano gratuito sem necessariamente convertê-los em pagantes de imediato. Ao entregar uma versão limitada do Jam — com shuffle forçado e fila travada — a empresa testa aumentar o engajamento social do produto (uma das apostas da companhia para os próximos anos) sem abrir mão do diferencial que hoje empurra usuários para o Premium. Para o mercado de streaming de áudio, é um lembrete de que a disputa não é mais só por catálogo ou preço, mas por recursos sociais que prendem grupos de amigos dentro de um único aplicativo. Se a mudança avançar de teste para lançamento, resta saber se ela reduz a pressão por assinatura ou se vira isca para conversão, dado que a experiência gratuita viria propositalmente capada.