Spotify renova acordo com Joe Rogan por US$ 250 milhões, diz WSJ
Spotify fechou novo contrato plurianual com Joe Rogan em termos parecidos aos de 2024, com earnout estimado em US$ 250 milhões, segundo o Wall Street Journal. Acordo mantém distribuição não exclusiva do podcast em outras plataformas.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 250 milhões é o número que define o novo ciclo do podcast mais valioso do Spotify
US$ 250 milhões. É esse o earnout estimado do novo acordo plurianual entre Spotify e Joe Rogan para licenciar o The Joe Rogan Experience, segundo reportagem do Wall Street Journal. O valor repete, em termos semelhantes, o contrato fechado no início de 2024 — não é um aumento espetacular, mas é a confirmação de que o Spotify segue disposto a pagar nove dígitos para manter o podcast mais ouvido da plataforma dentro de casa, mesmo sem exclusividade.
O que o acordo diz sobre o modelo de negócio do Spotify
Desde que assinou com Rogan em 2020 — então em regime de exclusividade total, por mais de US$ 100 milhões —, o Spotify tratou podcasts como motor de diferenciação frente a Apple e Amazon. A guinada veio em 2024, quando o acordo deixou de ser exclusivo: o programa passou a circular também por YouTube, Apple Podcasts e Amazon Music, com o Spotify seguindo responsável pela venda de anúncios e pelo licenciamento, enquanto Rogan mantém controle editorial total do conteúdo. O novo contrato repete essa arquitetura. Na prática, o Spotify trocou o controle de exclusividade pela garantia de continuar no centro da operação comercial do maior nome do áudio — vendendo anúncios e extraindo receita mesmo quando o ouvinte está no YouTube.
Quem ganha e quem perde nesse mercado
Quem ganha é óbvio: Joe Rogan, que segue embolsando uma cifra de nove dígitos e, segundo o que já havia sido reportado sobre o acordo de 2024, uma fatia da receita publicitária, além de manter autonomia editorial e presença multiplataforma. O programa aparece entre os mais seguidos do mundo, com mais de 18 milhões de seguidores no Spotify e mais de 21 milhões no YouTube — números citados pelo WSJ que ajudam a explicar por que a plataforma sueca não hesita em repetir o cheque.
O Spotify ganha estabilidade: mantém o selo de "casa" do podcast mais comentado do mundo e segue faturando com anúncios, mesmo em um momento de contenção de gastos no braço de podcasts original da empresa. Quem sai perdendo é qualquer rival de áudio que apostava usar a possível saída de Rogan como gancho competitivo — a renovação fecha essa porta, ao menos por mais um ciclo. Fica também a pergunta sobre o restante do catálogo de podcasts do Spotify: se o orçamento bilionário segue concentrado no nome que já domina os rankings havia anos, sobra pouco espaço de aposta para novos contratos do mesmo porte.
As duas empresas não divulgaram os termos financeiros oficiais do acordo, e os números de US$ 250 milhões seguem como estimativa atribuída pelo WSJ a fontes a par das negociações.