
Squarespace demite 19% da equipe para "simplificar" operações
A Squarespace, plataforma de criação de sites controlada pelo fundo de investimento Permira, corta cerca de 300 das 1.800 vagas, concentradas em produto e engenharia, segundo porta-voz da empresa.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
300 de 1.800: quase 1 em cada 5 funcionários
Dezenove por cento do quadro de funcionários: é esse o corte anunciado pela Squarespace, plataforma de criação de sites e lojas virtuais, que vai eliminar cerca de 300 das 1.800 posições da empresa. O número foi confirmado por Jeff Seedman, porta-voz da companhia, em comunicado ao site The Verge nesta semana.
A justificativa oficial é organizacional, não financeira. Segundo Seedman, "as mudanças têm como objetivo simplificar a forma como operamos, afiar nossas prioridades e permitir que a empresa se mova mais rápido conforme posicionamos a Squarespace para sua próxima fase de crescimento". Os cortes recaem principalmente sobre as áreas de produto e engenharia. Os funcionários afetados vão receber 16 semanas de salário-base e manutenção do plano de saúde até maio de 2027.
O pano de fundo: uma empresa que saiu da bolsa
A Squarespace deixou de ser uma empresa de capital aberto em outubro de 2024, quando o fundo de private equity Permira concluiu a compra da companhia por cerca de US$ 7,2 bilhões, em uma transação totalmente em dinheiro que pagou US$ 44 por ação — um prêmio de cerca de 29% sobre a média de negociação dos 90 dias anteriores. O fundador e CEO Anthony Casalena manteve a maior parte de sua participação na empresa e continua à frente da operação e do conselho.
A saída da bolsa costuma abrir espaço para decisões de reestruturação sem a pressão trimestral de resultados públicos — e é exatamente nesse tipo de janela, sob controle de um fundo de private equity, que cortes de corte transversal como este tendem a acontecer.
Quem perde, quem calcula o ganho
Para os cerca de 300 profissionais afetados, a notícia é dura, ainda que a empresa tenha oferecido um pacote de desligamento relativamente generoso. Para a Permira, a aposta é que uma estrutura mais magra em produto e engenharia acelere a execução sem comprometer a receita recorrente do negócio, que vive de assinaturas de sites e domínios. O episódio também reforça uma tendência maior do setor: mesmo empresas de software com modelo de receita estável têm promovido cortes de equipe como ferramenta de reorganização, não apenas de sobrevivência.