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MercadoCiência21 de ago. de 2026, 14:22

Starcloud capta US$ 250 milhões e avaliação salta para US$ 2,3 bi

Startup de data centers orbitais amplia rodada Série A com aporte de Nvidia e Cisco, mas admite que o maior desafio agora é garantir vagas de lançamento antes do fim do Falcon 9, em 2028.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 250 milhões e avaliação de US$ 2,3 bilhões

A Starcloud, startup que constrói satélites para rodar inferência de IA em órbita, fechou uma extensão de US$ 250 milhões à sua Série A, elevando a avaliação da companhia para US$ 2,3 bilhões — mais que o dobro do US$ 1,1 bilhão registrado quando captou os US$ 170 milhões da rodada original, em março. A extensão foi liderada pela Manhattan West Ventures, com participação de Nvidia (que sozinha colocou US$ 25 milhões), Cisco, Benchmark, EQT, Soma, NFX, 776, Cedar Capital, Goanna Capital e Standard Capital.

A tese é converter satélites em data centers movidos a energia solar ininterrupta, fora da disputa por terrenos, água e rede elétrica que trava a expansão de data centers na Terra. A empresa já opera uma GPU Nvidia H100 em órbita — a primeira do tipo — e diz ter sido a primeira a treinar um modelo de IA no espaço.

Quem ganha: fornecedores de capital e de silício

Nvidia e Cisco não são apenas investidoras: são também fornecedoras de tecnologia crítica para o hardware orbital da Starcloud, o que torna o aporte tanto financeiro quanto estratégico. Já a companhia usa o caixa para abrir uma fábrica maior e avançar no Starcloud-3, a espaçonave de maior porte do portfólio, projetada especificamente para voar no Starship da SpaceX. Também protocolou pedido à FCC para operar até 88 mil espaçonaves — sinal de que a aposta é em escala, não em prova de conceito.

Quem perde: quem não tem contrato de lançamento fechado

O relato do CEO Philip Johnston ao TechCrunch expõe o outro lado da moeda: a maior parte dos custos agora está em garantir capacidade de lançamento, afirmou. Dois satélites Starcloud-2, de 8 kW, devem subir em voos compartilhados em 2027, mas o horizonte mais incerto é 2029, quando a empresa pretende depender do Starship — hoje ainda em desenvolvimento. O programa Falcon 9, workhorse da SpaceX, deve ser encerrado em 2028, e Johnston já avisou que a Starcloud vai precisar reservar uma quantidade enorme de lançamentos com antecedência, sob risco de ficar sem capacidade se o cronograma do Starship atrasar.

A disputa por vagas de foguete não é exclusividade da Starcloud: Blue Origin (New Glenn), ULA (Vulcan) e Rocket Lab (Neutron) competem pelo mesmo funil de lançamentos comerciais, cada vez mais concorrido por constelações de satélites e, agora, data centers orbitais. Nesse jogo, quem já tem cheque assinado com a SpaceX — ou fábrica própria de foguetes, como fazem alguns rivais da Starcloud no setor — larga na frente. Quem não tem, aposta o crescimento do negócio na pontualidade de um foguete que ainda não voa em ritmo comercial.

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