
Starlink direto no celular: Anatel libera Vivo até 2029, mas sem data comercial
A Anatel aprovou o uso de espectro da banda S para a Starlink, serviço de internet via satélite da SpaceX, conectar celulares sem antena, com autorização experimental válida até abril de 2029 em parceria com a Vivo. Ainda não há oferta comercial ampla nem preço definido para o brasileiro.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
15 + 15 MHz de espectro liberados para ligar celular direto ao satélite
Esse foi o recurso que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) aprovou, por quatro votos a um, para viabilizar a conexão direta entre satélites e celulares no Brasil: 15 + 15 MHz de espectro na banda S cedidos à Starlink, serviço de internet via satélite operado pela SpaceX, empresa espacial de Elon Musk. A decisão é mais um passo da tecnologia Direct-to-Device (D2D), que dispensa antena ou roteador para captar sinal de satélite direto no aparelho.
Sandbox regulatório com prazo até 2029
Foto: reprodução/comprerural.com
O avanço acontece dentro de um ambiente regulatório experimental — um sandbox — criado pela Anatel especificamente para aplicações D2D, que permite às empresas testar a tecnologia sob regras temporárias enquanto a agência não define uma regulamentação definitiva. A Vivo foi a operadora autorizada a participar do processo e indicou a Starlink como parceira de satélite; em setembro de 2026, a Anatel prorrogou essa permissão até abril de 2029, mesma data de encerramento prevista para o sandbox como um todo.
Na prática, o modelo já permite oferecer o serviço a consumidores, e não apenas testá-lo internamente — mas em caráter secundário: sem proteção contra interferência de sistemas prioritários e com obrigação de suspender a transmissão caso cause problemas em outras redes. É o mesmo caminho trilhado em outros países, como os Estados Unidos (com a T-Mobile), a Nova Zelândia (One NZ, que lançou suporte a dados em fevereiro de 2026) e o Japão (au, com lançamento comercial em abril de 2025).
Quem sai na frente e quem ainda espera
A Vivo sai na frente no Brasil ao garantir exclusividade temporária com a Starlink dentro do sandbox, o que lhe dá tempo de testar a tecnologia antes da concorrência. Do outro lado, Claro e TIM também se movimentam: a Claro testou a tecnologia rival da Lynk Global no Maranhão em março de 2025, enquanto a AST SpaceMobile recebeu autorização parcial da Anatel em maio de 2026 — sinal de que a disputa pelo mercado de conectividade direta por satélite não terá um único vencedor.
Quem ainda fica de fora, por ora, é o consumidor final: não há data oficial de lançamento comercial amplo no Brasil, e o serviço segue restrito à fase experimental. Já existe, porém, um caminho de entrada mais barato para quem quer conectividade via satélite hoje: a antena Starlink Mini, vendida por menos de R$ 500 em promoções recentes — ainda que esse não seja o modelo direto-ao-celular, e sim o tradicional, que depende de equipamento físico.