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Ciência29 de set. de 2026, 10:57Atualizada em 29 de set. de 2026, 12:52

Starship chega à órbita pela 1ª vez e lança novos satélites Starlink

No voo 14, o foguete gigante da SpaceX alcançou a órbita terrestre e implantou os primeiros 26 satélites Starlink V3, mesmo após a falha de um motor do booster durante a subida.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: mais alto que a Estátua da Liberdade com pedestal

O Starship, empilhado com o booster Super Heavy, tem cerca de 120 metros de altura. Na segunda-feira, 28 de setembro, esse gigante chegou à órbita da Terra pela primeira vez.

Confirmado

O voo 14 do Starship decolou da base Starbase, no Texas, com a Ship 41 acoplada ao Booster 21, versão mais recente do foguete da SpaceX. Segundo a própria SpaceX e registros da transmissão ao vivo, um dos motores Raptor do booster desligou ainda durante a subida — mas os controladores de voo avaliaram que a nave estava "liberada" para prosseguir e a missão seguiu adiante.

Já em órbita, a uma altitude de aproximadamente 269 quilômetros, a Ship 41 implantou, um a um, os primeiros 26 satélites Starlink de nova geração, da linha V3. O bilionário Elon Musk confirmou, em publicação na rede social X, que os satélites estavam operacionais.

O Booster 21 realizou a manobra de retorno com uma queima proposital mais agressiva que o normal, esvaziando o oxigênio líquido restante no tanque principal para testar os limites de desempenho da estrutura — um ensaio para futuras missões em que o booster deve retornar e pousar na própria torre de lançamento, e não amerissar. Segundo a SpaceX, o booster religou 31 dos 33 motores planejados na queima de retorno; na queima de pouso, usou 11 motores no início, depois reduziu para 5 e por fim para 3, até a descida controlada — e em chamas, como previsto para testes deste tipo — em direção ao Golfo do México. A missão, que deveria durar cerca de 10 horas, foi encurtada para cerca de 3 horas por causa da falha do motor.

Hipótese, não fato fechado

Ainda não há confirmação pública, por parte da SpaceX, de quando o próximo voo do Starship deve ocorrer, nem se a empresa vai tentar o pouso do booster na torre já na próxima tentativa. Também é cedo para cravar que a arquitetura V3 do Starlink, agora testada em órbita pela primeira vez, terá desempenho equivalente ao das gerações anteriores em operação comercial de longo prazo — isso só a cobertura de sinal ao longo dos próximos meses vai mostrar. O que fica registrado, por ora, é o marco: o maior foguete já construído alcançou órbita e entregou carga real pela primeira vez.


Atualização (29/09, 10:08): Com a chegada à órbita confirmada, a SpaceX agora deve iniciar a próxima fase do desenvolvimento da Starship, cujo objetivo é tornar o foguete totalmente e rapidamente reutilizável — o mesmo modelo de operação já usado nos foguetes Falcon 9, mas em uma escala muito maior. Esse é o próximo grande desafio de engenharia da empresa de Elon Musk após validar a capacidade orbital do veículo.

Um sinal desse avanço já apareceu no próprio voo orbital: a missão teve o primeiro marco de reaproveitamento de peças da Starship, com duas placas de proteção térmica recuperadas da Nave 40 (usada em teste anterior) reinstaladas na Nave 41. É um indício inicial do caminho que a SpaceX pretende seguir para reduzir o custo e o tempo de preparação entre lançamentos.


Atualização (29/09, 12:52): O voo histórico do Starship teve um momento de tensão pouco depois da separação de estágios: o estágio superior perdeu um dos seis motores Raptor, embora ainda conseguisse chegar à órbita sem ele. A SpaceX chegou a cancelar a tentativa de manter a missão em curso, mas minutos depois decidiu prosseguir mesmo assim.

A meta original era a espaçonave completar seis voltas ao redor da Terra em cerca de nove horas, mas por segurança a empresa optou por encurtar o voo: após cerca de 3 horas em órbita, o Starship reentrou a atmosfera e amerissou em área pré-autorizada do Oceano Pacífico, ao norte do Havaí. Durante a missão, a nave implantou com sucesso 26 satélites Starlink de terceira geração, conectando-se a todos eles em voo.

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