
Startup alemã imprime em 3D a primeira viga rígida no vácuo do espaço
A Orbital Matter usou impressoras a bordo do satélite Replicator-2 para fabricar uma viga de meio metro em órbita, um passo inicial rumo a estruturas maiores para painéis solares no espaço.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Uma viga pequena, um teste grande
Pra escala humana: a viga que a startup alemã Orbital Matter imprimiu em órbita tem meio metro de comprimento — menos que um taco de beisebol — e foi fabricada diretamente no vácuo do espaço, exposta a variações extremas de temperatura e à microgravidade. O feito é modesto em tamanho, mas é confirmado como a primeira vez que uma estrutura rígida é impressa em 3D a bordo de um satélite em voo livre, segundo reportagem do TechCrunch.
O que já foi confirmado
A fabricante é a Orbital Matter, startup alemã fundada em 2022 por Jakub Stojek (CEO) e Robert Ihnatisin (CTO, ex-Formlabs), que já levantou uma rodada seed de US$ 3 milhões. O teste ocorreu a bordo do satélite Replicator-2, lançado via voo compartilhado da SpaceX. A bordo, quatro impressoras 3D extrudam resina de polímero líquido e a endurecem com luz ultravioleta — processo que a empresa compara a misturar cimento com água, só que no espaço.
Segundo a Orbital Matter, a tecnologia funciona como um sistema de implantação assistida por impressora, batizado de PADS. O objetivo comprovado neste voo foi produzir a viga de meio metro para sustentar estruturas de suporte no próprio satélite.
Em comunicado citado pelo TechCrunch, Stojek chamou o momento de divisor de águas: "Replicator 2 is the first proof that we can simply build the array in space" ("é a primeira prova de que podemos simplesmente construir a estrutura no espaço"). Ihnatisin explicou a escolha de testar direto em órbita: "We preferred to learn in orbit and adapt the software as needed rather than waste" ("preferimos aprender em órbita e adaptar o software conforme necessário, em vez de desperdiçar tempo em testes terrestres").
A empresa tem parcerias com a Agência Espacial Europeia (ESA) e a fabricante de satélites Thales Alenia, segundo o TechCrunch. A Aerospace America, que também acompanhou o lançamento, confirma que o Replicator-2 carrega quatro impressoras — duas dedicadas a vigas de até um metro para sustentar um painel solar pequeno.
O que ainda é projeção
Os planos mais ambiciosos seguem no campo da hipótese. A empresa estima ser capaz de imprimir vigas de até 100 metros, mas isso não foi demonstrado nesta missão. Os próximos passos anunciados incluem uma missão demonstrativa prevista para 2028, com meta de erguer um array solar de 5 kW em órbita, e um objetivo de longo prazo — sem prazo garantido — de superar 100 kW por "asa" de painéis até 2030. Essas metas dependem de testes futuros ainda não realizados e devem ser tratadas como projeção da própria empresa, não como resultado comprovado.