
Startup belga Any quer Série A de € 10 mi para moto elétrica de carga
A Any já captou € 2,75 milhões e busca mais € 10 milhões para produzir o LUV1, veículo elétrico de 120 litros de carga que dispensa habilitação de moto comum.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa
600 reservas em 100 dias. Foi essa a resposta que a startup belga Any teve ao mostrar o protótipo do LUV1 — "Life Utility Vehicle" — na Semana de Design de Milão, em maio. Agora a empresa busca uma rodada Série A de € 10 milhões (cerca de US$ 11,65 milhões), com fechamento esperado até o fim do ano, depois de já ter captado € 2,75 milhões em duas rodadas seed (€ 1,5 milhão em novembro e € 1,25 milhão em maio).
O que o dinheiro compra
Foto: reprodução/interestingengineering.com
O LUV1 é um veículo elétrico de duas rodas com 120 litros de capacidade de carga, velocidade máxima de 100 km/h e autonomia de até 140 km com duas baterias intercambiáveis. O preço parte de cerca de € 7.000 (entre US$ 7.900 e US$ 11.300, dependendo da configuração) e a exigência de habilitação é a categoria A1 — mais barata e acessível que a exigida para motos convencionais. As primeiras entregas estão previstas só para o fim de 2027, prazo típico de quem ainda capta a rodada que financia a produção em escala.
Quem está por trás
A equipe reúne nomes com histórico relevante no setor: o CEO Pieter Van de Velde vem do mercado de venture capital; o cofundador e diretor comercial Erik de Winter também fundou a europeia Cargoroo, de compartilhamento de bicicletas de carga; o diretor criativo Lowie Vermeersch foi chefe de design da Pininfarina; e o head de engenharia, Alessandro Mangano, passou por Aprilia, Ferrari e Piaggio.
Quem ganha e quem perde
O alvo inicial da Any são entregadores de última milha e moradores urbanos que hoje usam carro para trajetos curtos — um mercado que motos elétricas tradicionais disputam, mas sem o espaço de carga do LUV1. Se a aposta em espaço de carga se confirmar como diferencial, quem sai perdendo são fabricantes de scooters de carga menores e, potencialmente, montadoras de carros compactos que dependem justamente desses trajetos urbanos curtos para vender unidades de entrada. Por ora, a Any não divulgou nomes específicos de investidores da rodada em captação, e a viabilidade do negócio depende de fechar o Série A antes do prazo de entrega prometido aos primeiros 600 clientes.