Startup Bites usa agentes de IA e ameaça o domínio da DoorDash
Com só 10 funcionários, a Bites cobra US$ 1 por pedido via agente de IA no ChatGPT e já fez restaurantes mudarem de canal — enquanto a DoorDash processa 970 milhões de pedidos por trimestre.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa
970 milhões de pedidos e US$ 4,5 bilhões em receita: foi isso que a DoorDash, maior aplicativo de entrega de comida dos Estados Unidos, faturou só no segundo trimestre de 2026, alta de 36% sobre um ano antes. É nesse mercado gigante que uma startup de 10 funcionários, a Bites, está tentando abrir uma brecha com agentes de inteligência artificial.
O modelo que ameaça a comissão
A DoorDash cobra dos restaurantes entre 15% e 30% por entrega, além de taxas de publicidade — a empresa faturou cerca de US$ 1 bilhão só com anúncios em 2024. A Bites inverte a conta: cobra uma taxa fixa de US$ 1 por pedido, geralmente pago pelo cliente, sem comissão percentual e sem taxa de visibilidade no app. Os pedidos chegam por um plugin da Bites dentro do ChatGPT, que conecta cliente e restaurante direto, sem necessidade de cardápio dentro de um aplicativo.
A diferença aparece na conta final: um teste do repórter do The Verge mostrou a mesma pizza com bebida saindo por US$ 56,73 na Bites contra US$ 70,29 na DoorDash.
Quem já está migrando
Fundada por Bala Subramaniam, ex-Instacart e ex-Amazon, a Bites tem cerca de 300 restaurantes cadastrados na região da Bay Area, na Califórnia, e já integra sistemas de ponto de venda como Toast e Square. Um dono de 13 restaurantes relatou ao Verge que inverteu a proporção de pedidos: de 80% vindos da DoorDash para 65% vindos da Bites, com margem maior no bolso. Segundo o CEO da Bites, catorze restaurantes parceiros já receberam cartas da DoorDash em resposta direta à concorrência.
Quem ganha e quem perde, por ora
A DoorDash reagiu lançando em setembro seu próprio agente de IA para pedidos por mensagem no iMessage, sinal de que a disputa pelo pedido "sem abrir o app" já começou dentro de casa. Resta saber se a Bites consegue escalar a operação — hoje restrita a uma região dos EUA — sem perder a margem que hoje atrai os restaurantes, e se a pressão vai baixar as comissões cobradas pelos grandes apps no resto do mundo, Brasil incluído.