
Startup conclui 1ª usina geotérmica aprimorada do mundo em só 23 meses
A Fervo Energy, startup americana de energia geotérmica aprimorada, entrou em operação comercial na Cape Station, em Utah, e promete cortar o prazo das próximas fases para 18 meses.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Construir uma usina de energia que perfura rochas a quilômetros de profundidade, mais quentes que qualquer poço de petróleo convencional, e colocá-la rodando em menos de dois anos é um prazo que a própria empresa descreve como inédito no setor. Foi o que aconteceu em Beaver County, no estado americano de Utah.
O que já é fato confirmado
A Fervo Energy, startup americana especializada em geotermia aprimorada (enhanced geothermal systems, ou EGS), anunciou a entrada em operação comercial do primeiro bloco de geração da Cape Station em 30 de setembro, um dia antes do prazo contratual. Segundo a reportagem da TechCrunch, a obra e a comissão desse primeiro bloco — chamado de GeoBlock — levaram 23 meses, do início da construção até a geração comercial de energia.
A tecnologia de geotermia aprimorada adapta técnicas do setor de petróleo e gás, como perfuração horizontal, para extrair calor de rochas mais profundas e mais quentes do que os poços geotérmicos tradicionais conseguem alcançar. A Fervo afirma que este é o primeiro projeto greenfield (construído do zero) de geotermia aprimorada do mundo a atingir operação comercial contratual.
O bloco inaugurado gera 33 megawatts (MW) de potência líquida. Ele é o primeiro de três GeoBlocks que compõem a Fase 1 do projeto, com capacidade total prevista de cerca de 100 MW — os outros dois blocos devem entrar em operação até 1º de janeiro de 2027, segundo apuração da TechCrunch. O CEO da empresa, Tim Latimer, disse à publicação: "nenhuma equipe jamais construiu um projeto como este em nenhum lugar do mundo, e nós o fizemos antes do prazo".
O que é meta e projeção futura
Aqui a conversa muda de registro: são planos anunciados pela empresa, ainda não executados. A Fervo já iniciou a construção de uma segunda fase da Cape Station, com 400 MW adicionais, prevista para entrar em operação em 2028. A companhia diz que o local inteiro tem potencial teórico de chegar a 4 gigawatts — mas esse número é projeção de longo prazo, não capacidade instalada.
A meta mais ousada, porém, é de prazo: a empresa afirma que pretende reduzir o tempo de construção dos próximos GeoBlocks para 18 meses, contra os 23 meses do primeiro. Entre os clientes que compram a energia gerada estão o próprio Google e a concessionária Southern California Edison — reflexo da corrida por energia limpa e disponível 24 horas para alimentar a expansão de data centers de inteligência artificial nos Estados Unidos.