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Mercado13 de out. de 2026, 01:20

Startup de célula de combustível mira data centers de IA e defesa dos EUA

A Petra Power já fechou quase US$ 9 milhões em contratos com o Departamento de Defesa dos EUA e quer vender suas células de combustível de óxido sólido para data centers que não conseguem energia suficiente da rede elétrica.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Quase US$ 9 milhões em contratos de defesa — e o alvo real é a crise de energia da IA

A Petra Power, startup americana de células de combustível de óxido sólido, fechou perto de US$ 9 milhões em contratos com o Departamento de Defesa dos EUA. É um número pequeno para o padrão de rodadas de startups de IA, mas revela algo maior: a corrida para resolver o maior estrangulamento da indústria de tecnologia hoje, a falta de eletricidade para alimentar data centers de IA.

O problema que todo data center enfrenta

Nos últimos dois anos, a demanda por energia elétrica para treinar e rodar modelos de IA cresceu mais rápido do que a capacidade das redes elétricas tradicionais conseguem entregar. Hiperescaladores como Amazon, Microsoft e Google já disputam acesso a turbinas a gás e contratos de energia nuclear, enquanto operadores menores — os chamados "neoclouds" e provedores de infraestrutura que não têm o bolso de uma Big Tech — ficam na fila, sem rede elétrica disponível e sem poder de negociação.

É nesse vácuo que startups como a Petra Power tentam entrar.

O que a empresa vende

Fundada em 2017 em Warren, Ohio, por Aaron Goodman (CEO) e Phillip Clift (CTO), a Petra Power nasceu de uma licença da NASA para comercializar células de combustível de óxido sólido — dispositivos cerâmicos que convertem combustíveis como gás natural em eletricidade sem combustão. Sem queima, a promessa é mais eficiência energética, menos emissões e equipamentos menores e mais leves do que geradores convencionais.

A empresa, que tem hoje cerca de 15 funcionários, mira dois públicos: data centers de nuvens não-hiperescala e o Departamento de Defesa dos EUA, que quer usar as células como energia auxiliar em veículos terrestres, alimentando equipamentos a bordo sem precisar manter o motor principal ligado. No lado militar, a tecnologia ainda está em fase de testes e não foi implantada em nenhum veículo em operação — a decisão de avançar é do governo.

Quem ganha e quem fica para trás

O primeiro cliente de data center da Petra Power só deve receber equipamento em 2028, com produção em larga escala prevista para 2029. É um prazo longo para quem precisa de energia agora. Mas o movimento confirma uma tendência: enquanto a rede elétrica tradicional e os contratos de gás natural ficam cada vez mais disputados e caros, startups de geração de energia descentralizada — sejam células de combustível, microrreatores ou baterias — se tornam a aposta de quem não quer depender só da concessionária. A Petra Power foi selecionada para o Startup Battlefield 200 da TechCrunch, vitrine que costuma atrair atenção de investidores justamente para esse tipo de tecnologia de nicho, mas estratégica.

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