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Mercado14 de set. de 2026, 21:42

Startup de ex-Spotify capta US$ 5,5 milhões para apps musicais sem IA

A Vinyl Bar in Shibuya, criada pelo ex-chefe de inovação do Spotify, levantou uma rodada pre-seed de US$ 5,5 milhões para apps que colocam o usuário para criar música — na contramão dos apps de geração musical via IA.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 5,5 milhões contra a maré da IA generativa

US$ 5,5 milhões. Foi esse o cheque pre-seed que a A Vinyl Bar in Shibuya, startup batizada com o nome do bar de vinil em Tóquio onde nasceu a ideia, fechou para apostar justamente no oposto do que domina o mercado de música hoje: em vez de gerar canções com poucos prompts, a empresa constrói apps que exigem o usuário mexendo a mão na música. A rodada reúne nomes de peso do venture capital especializado em consumo — Mantis VC, SV Angel, Boxgroup, Quiet Capital, ERA, Common Metal, Gold House, Liquid 2 Ventures, Breakers VC e Systemic Ventures — além de Dawn Ostroff, ex-Chief Content and Advertising Business Officer do Spotify, uma das maiores plataformas de streaming de música do mundo, que entrou como conselheira.

Quem está por trás

O fundador é Máuhan M Zonoozy, que deixou o cargo de Head of Innovation do Spotify em 2024 e já tinha um exit no currículo: a Bubbl, startup de clipagem e remixagem de vídeo, foi adquirida pela Cricket Media, uma editora americana de conteúdo educacional infantil. A tese de Zonoozy é direta: quanto mais fácil fica gerar música com IA, mais valioso se torna o gosto humano. Em suas palavras, reproduzidas pelo TechCrunch, “a abundância torna gosto e perspectiva humana ainda mais valiosos” — um contraponto explícito a rivais que apostam tudo em geração automática.

O produto: singles, não álbuns

Em vez de um app monolítico, a startup lança “singles” — miniaplicativos independentes. Já são seis: Speed Surfer (extensão de Chrome que altera velocidade e filtros de áudio), UsernameSound (transforma letras de nome de usuário em notas musicais), Stacks (stem player em grade 3x3 para criar mixes), Drops (posiciona defletores que geram notas ao guiar bolinhas), Sampler (converte vídeos do YouTube em samplers) e bop, app para iOS que organiza instrumentos e efeitos em uma grade — este último ainda em fase de teste, segundo apuração cruzada com o site Music Ally.

Quem ganha e quem fica de fora

Quem ganha é o nicho de nostalgia analógica monetizável: bar físico como vitrine de produto, investidores que compram a tese de “anti-hype de IA” num mercado saturado de geradores automáticos. Quem fica pressionado são as plataformas que apostaram todas as fichas em geração via prompt — a startup não nomeia concorrentes diretos, mas o recado do fundador, ex-executivo de dentro do maior player de streaming do setor, tem peso. Para 2026, a empresa promete lançar um “musical sandbox mixer” e uma versão multiplayer dos apps.

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